Minha história começa numa ilha com pouco mais
de duzentos habitantes, na baía de Todos os Santos.
Uma fração de Brasil praticamente secreta, ignorada
pelas modernidades e pelos mapas: nem o (quase)
infalível Google Maps consegue encontrá-la. É nessa
terra minúscula, a Ilha do Paty, que estão minhas
raízes. O lugar é um distrito de São Francisco do
Conde _ município a 72 quilômetros de Salvador,
próximo a Santo Amaro e conhecido por sua atual
importância na
indústria do petróleo. Na ilha, as principais fontes de
renda ainda são a pesca, o roçado e ser funcionário da
prefeitura.
No Paty, sapatos são muitas vezes acessórios
dispensáveis. Para atravessar de um lado para o outro
na maré de águas verdes, o transporte oficial é a canoa,
apesar de já existirem um ou outro barco, cedidos pela
prefeitura. Ponte? Nem pensar, dizem os moradores,
em coro. Quando alguém está no “porto" e quer chegar
até o Paty, só precisa gritar: “Tomaquê!".
Assim, algum voluntário pega sua canoa e cruza, a
remo, um quilômetro nas águas verdes e calmas. Entre os dois pontos da travessia se gastam uns quarenta
minutos. Essa carona carrega, na verdade, um misto de
generosidade e curiosidade. Num lugar daquele
tamanho, qualquer visita vira assunto, e é justamente o
remador quem transporta a novidade.
(RAMOS, Lázaro. Na minha pele: Rio de Janeiro: Fontanar, 2018)
Qual a função da linguagem predominante no
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