Criança, 5 anos, chega ao pronto-socorro com queixa principa...
Gabarito comentado
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Tema central: Endocardite infecciosa (EI) em pediatria — quadro clínico, microbiologia e epidemiologia. A criança do caso tem febre prolongada, novo sopro, petéquias, nódulos de Osler, lesões de Janeway, espleno/hepatomegalia e sinais de IC, quadro clássico de EI subaguda.
Alternativa INCORRETA: C — A EI é mais frequente em crianças com cardiopatia congênita, próteses ou dispositivos. O enunciado erra ao afirmar “cerca de 40% sem cardiopatia estrutural”. Em séries pediátricas, a proporção sem cardiopatia varia tipicamente de 20–30% (aumentando em contextos de CVC e infecções por Staphylococcus aureus), mas não chega a 40% de forma consistente. Referências: AHA “Infective Endocarditis in Childhood” (2015) e UpToDate (atualizações recentes) descrevem predominância de casos com cardiopatia e crescimento relativo dos casos sem doença estrutural, porém ainda minoritários.
Por que as demais estão corretas?
A. A EI é majoritariamente bacteriana; fungos (ex.: Candida) são incomuns e ocorrem em neonatos, imunossuprimidos ou com CVC. (AHA/UpToDate)
B. A forma aguda é frequentemente causada por Staphylococcus aureus, com evolução rápida, alta virulência e forte associação a cateteres/prosteses e assistência à saúde. (AHA, ESC 2023)
D. Cocos Gram-positivos são os principais agentes: estreptococos do grupo viridans, estafilococos (sobretudo S. aureus) e enterococos; HACEK é menos comum em pediatria. (Harrison’s, UpToDate)
Diagnóstico – como raciocinar
- Suspeitar em febre >7–10 dias + novo sopro e/ou fenômenos vasculares/imunes (petéquias, Janeway, Osler) e IC súbita ou subaguda.
- Hemoculturas: coletar 3 amostras antes de antibiótico. Principais agentes devem crescer em culturas seriadas.
- Ecocardiograma: TTE primeiro; TEE se prótese, janela ruim ou alta suspeita com TTE negativo. Achados maiores: vegetação, abscesso, deiscência de prótese, nova regurgitação.
- Critérios de Duke (modificados/ISCVID 2023): combinar critérios maiores (hemocultura típica, imagem) e menores (febre, fenômenos vasculares/imunes, predisposição, achados laboratoriais).
Tratamento (linha geral)
- Empírico após culturas: cobrir S. aureus (inclusive MRSA), estreptococos e enterococos. Opções pediátricas: vancomicina + ceftriaxona (comunitária) ou vancomicina + cefepime (associada à assistência/CVC). Ajustar pelo antibiograma. Duração típica: 4–6 semanas IV. (AHA 2015; UpToDate)
- Cirurgia se IC por disfunção valvar, abscesso, bacteremia persistente, vegetações grandes com embolização.
Pegadinha de prova: confundir a proporção de casos sem cardiopatia (não inflar para 40%); diferenciar Osler (dolorosos) de Janeway (indolores); novo sopro + febre prolongada = pensar em EI.
Referências: AHA Scientific Statement – Infective Endocarditis in Childhood (2015); UpToDate – Infective endocarditis in children; ESC Guidelines 2023; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: C
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