O espectro etiológico das diarreias crônicas é extremamente ...

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Q3080280 Medicina
O espectro etiológico das diarreias crônicas é extremamente amplo e diversificado, de acordo com a faixa etária e o meio ambiente de convívio. O médico pediatra deve seguir algoritmos de investigação que contemplem número reduzido de exames e testes menos invasivos, quando possível, mas com sensibilidade e especificidade suficientes para indicar o diagnóstico em questão. Sobre a diarreia crônica na população pediátrica, assinale a afirmativa INCORRETA.
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Tema central: diarreia crônica em pediatria e sua abordagem etiológica por mecanismos (osmótica, secretória, inflamatória e por má absorção de gorduras/esteatorreia), selecionando exames pouco invasivos com boa acurácia.

Alternativa INCORRETA: C

Justificativa: A descrição de fezes oleosas, volumosas, muito fétidas é típica de esteatorreia. Contudo, a afirmação erra ao generalizar que esse padrão é “comum em doenças infectoparasitárias”. Na prática, a esteatorreia é clássica em insuficiência pancreática exócrina (p.ex., fibrose cística), doença celíaca, doenças hepatobiliares/colestase e supercrescimento bacteriano. Entre infecções, basicamente a giardíase pode cursar com má absorção de gorduras; a maioria das infecções/parasitoses crônicas causam diarreia aquosa ou inflamatória, não gordurosa. Além disso, “fezes claras” sugere acolia (colestase), não sendo um atributo obrigatório da esteatorreia por malabsorção intestinal. Portanto, há supergeneralização e confusão conceitual na alternativa.

Análise das demais alternativas (corretas)

A) Má absorção de gorduras ± sintomas respiratórios orienta fortemente para fibrose cística (FC), pela insuficiência pancreática exócrina e infecções respiratórias recorrentes. Exames: teste do suor (cloro ≥60 mmol/L), genética CFTR, elastase fecal baixa. Referências: Cystic Fibrosis Foundation; UpToDate; Nelson Textbook of Pediatrics.

B) Distensão e gases após leite sugerem intolerância à lactose (diarreia osmótica): fezes ácidas, pH <5,5, substâncias redutoras positivas; melhora com jejum/retirada do açúcar; confirmação por teste do hidrogênio expirado. Referências: ESPGHAN/ESPGHAN e UpToDate.

D) Diarreias congênitas (p.ex., enteropatia com microvilosidades, diarreia clorídica congênita, defeitos de transportadores) cursam com perda hídrica intensa nos primeiros dias/ semanas de vida e, em geral, têm herança autossômica recessiva. Requerem reposição hídrico-eletrolítica e manejo especializado. Referências: UpToDate; Nelson.

Estratégia de prova: identifique o mecanismo pelo padrão das fezes. Fezes gordurosas → pense em FC/celíaca/pancreática; diarreia com gases pós-lácteos → osmótica por lactose; diarreia neonatal grave → causas congênitas recessivas. Desconfie de alternativas que generalizam “infectoparasitárias” como causa de esteatorreia.

Exames úteis na investigação:

  • Elastase fecal (pancreática); gordura fecal (Sudan/quantitativa).
  • Teste do suor/genética CFTR (FC).
  • Antígeno para Giardia e coproparasitológico.
  • Teste do H2 expirado (lactose) ou teste terapêutico sem lactose.
  • tTG-IgA e IgA total (celíaca); calprotectina fecal (inflamação).

Fontes: UpToDate (Chronic diarrhea in children; Fat malabsorption); Nelson Textbook of Pediatrics; Diretrizes Cystic Fibrosis Foundation; ESPGHAN.

Gabarito: C

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