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Q4237446 Medicina
Mulher, 28 anos de idade, 2G1A, com 10 semanas de gestação, procura pronto atendimento por vômitos persistentes há 10 dias, com dificuldade para manter líquidos e alimentos. Refere dor abdominal discreta e perda de 5 kg no período. Nega febre e perdas vaginais. Traz cartão de prénatal com rotina de exames sem alterações. Relata ter iniciado dimenidrinato oral há cerca de 5 dias, prescrito em outro serviço, mas sem melhora significativa dos sintomas. Ao exame físico, apresenta-se em BEG, PA de 100×60 mmHg, FC de 104 bpm, mucosa oral levemente seca. Abdome flácido, levemente doloroso em epigástrio, sem visceromegalias.
 • Exames laboratoriais: TGO/AST: 58 U/L TGP/ALT: 65 U/L Bilirrubina total: 0,9 mg/dL β-hCG: 215.000 mUI/mL Urina tipo 1: cetonúria ++/4+ TSH: 0,05 mUI/L T4 livre: 1,1 ng/dL
Assinale a alternativa que apresenta a interpretação e conduta mais adequadas para o caso descrito.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em gestante de 10 semanas, vômitos persistentes com perda de peso e cetonúria caracterizam hiperêmese gravídica; o TSH suprimido com T4 livre normal e β-hCG muito elevado no primeiro trimestre favorecem alteração tireoidiana transitória mediada por hCG, o que não indica propiltiouracil.

Tema central: Hiperêmese gravídica e alteração tireoidiana transitória
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cetonúria isolada, neste contexto, é explicada por jejum prolongado e desidratação decorrentes dos vômitos. Cetoacidose diabética exige hiperglicemia e acidose metabólica, e o enunciado não traz glicemia elevada, acidose, gasometria alterada ou quadro metabólico compatível. O diagnóstico sindrômico dominante é hiperêmese gravídica, não cetoacidose diabética.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro clínico é compatível com hiperêmese gravídica: início no primeiro trimestre, vômitos persistentes, dificuldade para manter líquidos e alimentos, perda ponderal, desidratação leve e cetonúria. O dado que diferencia a interpretação tireoidiana é o conjunto β-hCG muito elevado com TSH de 0,05 mUI/L e T4 livre normal, padrão que favorece supressão transitória do TSH por estímulo do hCG, e não hipertireoidismo autoimune franco. Por isso, a conduta adequada é suporte com hidratação venosa e otimização dos antieméticos, sem antitireoidiano. A discreta elevação de transaminases com bilirrubina normal também é compatível com a própria hiperêmese.
C
Errada
Está errada porque a discreta elevação de AST e ALT com bilirrubina normal é achado que pode ocorrer na hiperêmese gravídica e não caracteriza hepatite medicamentosa. O uso recente de dimenidrinato, sem outros elementos clínico-laboratoriais de injúria hepática relevante, não sustenta essa interpretação. Além disso, corticoide sistêmico não se justifica como tratamento de uma suposta hepatite medicamentosa com os dados fornecidos.
D
Errada
Está errada porque o caso não mostra evidência de hipertireoidismo autoimune. O ponto decisivo é TSH suprimido com T4 livre normal no primeiro trimestre, associado a β-hCG muito elevado, padrão que favorece alteração gestacional transitória e não doença de Graves. Faltam sinais de hipertireoidismo franco e faltam dados clínicos de autoimunidade tireoidiana. As transaminases discretamente elevadas também não definem hepatopatia associada ao hipertireoidismo. Iniciar propiltiouracil nesse cenário seria conduta inadequada.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: interpretar cetonúria por jejum como cetoacidose diabética e interpretar TSH suprimido no primeiro trimestre como doença de Graves, quando o conjunto β-hCG muito alto + T4 livre normal aponta para alteração tireoidiana gestacional transitória.
Dica para questões semelhantes
  • Em gestante no primeiro trimestre, vômitos intensos com perda de peso, desidratação e cetonúria apontam primeiro para hiperêmese gravídica.
  • TSH baixo com T4 livre normal, na presença de β-hCG elevado, favorece efeito transitório gestacional do hCG e não indica automaticamente antitireoidiano.
  • Cetonúria isolada em contexto de vômitos não fecha cetoacidose diabética; é preciso haver hiperglicemia e acidose metabólica.
  • Elevação discreta de transaminases com bilirrubina normal pode acompanhar hiperêmese e, sozinha, não sustenta hepatite medicamentosa.

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