Lactente de dois meses de idade deu entrada no pronto-socor...
Lactente de dois meses de idade deu entrada no pronto-socorro com história de quadro gripal caracterizado por coriza, febre baixa e tosse por três dias, que evoluiu com piora da tosse e falta de ar. À ausculta pulmonar, evidenciava sibilos expiratórios disseminados nos dois HT. FR: 64 irpm e SpO2: 90%. Foi feito resgate com três nebulizações de soro fisiológico e fenoterol sem melhora evidente, sendo indicada a internação. Foi realizada radiografia de tórax, que demonstrou hipertransparência bilateral, retificação do diafragma e infiltrado perihilar bilateral. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta.
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Comentário da Questão – Bronquiolite Viral Aguda em Lactente
Tema central: O quadro clínico descrito (lactente de 2 meses, coriza, tosse, febre baixa, evolução para sibilância, taquipneia e hipoxemia, associado à radiografia com hiperinsuflação e infiltrado perihilar) caracteriza bronquiolite viral aguda (BVA), mais comum em menores de 2 anos, frequentemente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Justificativa da alternativa correta (B): A alternativa B sugere o uso de brometo de ipratrópio após insucesso com fenoterol. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria e principais guidelines (SBP, UpToDate), o tratamento da BVA é suportivo: oxigenoterapia para SpO2 < 90%, oferta de líquidos e monitoração. Broncodilatadores (incluindo fenoterol e brometo de ipratrópio) não são indicados rotineiramente devido à falta de evidências de benefício sustentado (“O uso de broncodilatadores, corticosteroides e antibióticos não está indicado de rotina” – SBP, Consenso 2022, p. 4).
No entanto, em situações excepcionais — como ausência de resposta, quadro grave ou dúvida diagnóstica com asma — pode-se realizar o teste terapêutico com broncodilatador e/ou anticolinérgico, avaliando resposta clínica. Logo, a alternativa B traz uma conduta pontual (uso do brometo de ipratrópio após fenoterol), aceita como exceção (teste terapêutico), MAS não é padrão nem consenso para BVA.
Análise das alternativas incorretas:
A) Penicilina cristalina só é indicada para pneumonia bacteriana clássica, NÃO para BVA, de etiologia viral (diretriz SBP, 2022).
C) A oxigenoterapia (SpO2 < 90%) é, de fato, a base do tratamento e a conduta de escolha inicial, porém não é a resposta específica da questão, que foca na conduta pós-nebulização sem sucesso.
D) Corticoides não têm benefício comprovado na bronquiolite viral e não são recomendados de rotina (“corticoides sistêmicos não mudam o curso da doença” – SBP, p. 4).
E) Suspender aleitamento e iniciar hidratação venosa não é indicado; manutenção do aleitamento é fundamental.
Destaque para pegadinha: O candidato precisa observar se o enunciado pede uma conduta padrão ou uma abordagem em caso de falha ao tratamento inicial. Atenção ao contexto (resposta à nebulização).
Referências: Consenso SBP 2022; Ministério da Saúde – Atenção à BVA; Nelson Tratado de Pediatria.
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