O artigo de Faisal-Cury e Menezes (2012) apresenta os resul...

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Q4237419 Medicina
O artigo de Faisal-Cury e Menezes (2012) apresenta os resultados de uma coorte de gestantes que estimou a associação entre depressão antenatal e depressão pós-parto. Segundo a pesquisa, gestantes deprimidas apresentaram maior risco de depressão pós-parto (risco relativo: 2,5; IC95%: 2,3-2,7). No entanto, dentre as 828 gestantes avaliadas no início da pesquisa, 107 não responderam ao instrumento de avaliação da depressão no período pós-parto. A análise dos dados mostra que as mulheres que não responderam eram mais deprimidas, menos escolarizadas e mais frequentemente solteiras, mas com idade similar às mulheres que completaram a pesquisa. Caso estas mulheres tivessem retornado e fossem incluídas na análise dos dados, o que provavelmente ocorreria com a medida de associação?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Perdas de seguimento diferenciais em coorte, associadas à exposição e ao desfecho, podem subestimar a associação; aqui, as perdas eram mais deprimidas no início, o que favorece a reinclusão de participantes com maior risco no grupo exposto e tende a elevar o RR observado.

Tema central: Perdas de seguimento
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque estabilidade da medida seria mais plausível se as perdas fossem aleatórias. Aqui não foram: as não respondentes diferiam justamente na variável central da exposição, pois eram mais deprimidas no início, além de apresentarem marcadores de vulnerabilidade. Isso caracteriza perda diferencial, que não apenas reduz tamanho amostral, mas pode distorcer o risco relativo.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a análise final excluiu participantes com maior chance de pertencer ao grupo exposto de interesse, a depressão antenatal, e também com maior probabilidade de apresentar o desfecho. Em coortes, quando as perdas se relacionam simultaneamente à exposição e ao desfecho, a medida de associação pode ficar subestimada. Reintroduzir essas mulheres tenderia a elevar a incidência de depressão pós-parto entre as expostas e, assim, aumentar o risco relativo.
C
Errada
Está errada porque o risco relativo diminuiria se a reinclusão acrescentasse proporcionalmente mais desfechos ao grupo não exposto ou menos desfechos ao grupo exposto. O enunciado aponta o contrário: as perdidas eram mais deprimidas no baseline, portanto mais ligadas ao grupo exposto e ao maior risco de depressão pós-parto. A direção esperada do viés é de atenuação prévia da associação, não de exagero.
D
Errada
Está errada porque, embora nem toda perda de seguimento permita prever a direção do viés, nesta questão há informação suficiente para inferi-la. O enunciado informa que as ausentes eram mais deprimidas, e a exposição estudada é exatamente depressão antenatal. Esse dado permite concluir que a exclusão retirou do acompanhamento mulheres expostas de maior risco, o que tende a subestimar o risco relativo.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre perda de seguimento como simples perda de precisão e perda de seguimento como viés de seleção. O dado-chave não é o número de perdas nem a idade similar, mas o fato de as não respondentes serem mais deprimidas, isto é, mais concentradas na exposição principal.
Dica para questões semelhantes
  • Em coortes, primeiro identifique se a perda de seguimento foi aleatória ou diferencial; isso define se há só imprecisão ou também viés.
  • Se os perdidos se concentram no grupo exposto e têm maior chance do desfecho, a associação observada tende a ficar atenuada; ao reincluí-los, o RR tende a subir.
  • Não deixe covariáveis secundárias desviar o foco quando o enunciado informa diretamente a variável de exposição entre os perdidos.
  • IC estreito não corrige viés de seleção; precisão estatística e validade interna são problemas diferentes.

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