Criança, sexo masculino, 4 anos de idade, alérgica a amendo...

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Q4237401 Medicina
Criança, sexo masculino, 4 anos de idade, alérgica a amendoim, comparece à unidade de emergência devido à ingestão acidental de um doce contendo o alérgeno há cerca de 40 minutos. Há 10 minutos, iniciou o surgimento de placas urticariformes por todo o corpo, sem outras queixas. Na avaliação inicial, paciente encontra-se em bom estado geral, corado, hidratado, ausculta cardíaca com 2BRNF sem sopros, FC de 102 bpm, PA de 88×54 mmHg, extremidades bem perfundidas, ausculta pulmonar com múrmurio vesicular presente, sem ruídos adventícios, FR de 24 irpm, SpO2 de 97% em ar ambiente. Abdome flácido, normotenso, indolor. A conduta indicada nesse momento é: 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é que urticária generalizada após exposição alimentar, sem comprometimento respiratório, cardiovascular clinicamente relevante, sintomas gastrointestinais persistentes ou envolvimento de múltiplos sistemas, não caracteriza anafilaxia; nessa situação, a conduta inicial é observação/monitorização e anti-histamínico, e não adrenalina IM.

Tema central: Anafilaxia versus urticária
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque adrenalina intramuscular é tratamento de escolha da anafilaxia, não da urticária isolada em paciente hemodinamicamente estável. O enunciado não traz broncoespasmo, estridor, hipoxemia, síncope, alteração do sensório, má perfusão ou sintomas gastrointestinais persistentes; portanto, faltam critérios clínicos suficientes para anafilaxia. A confusão induzida pela banca é associar alergia conhecida a amendoim e urticária disseminada com indicação automática de adrenalina.
B
Errada
Está errada porque a criança não deve receber alta imediata após reação alérgica alimentar aguda ainda recente, já que existe possibilidade de progressão do quadro e a base sustenta observação/monitorização. Além disso, corticosteroide não é a medida central do manejo agudo imediato neste cenário e não substitui a necessidade de observação.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro descrito é cutâneo isolado, com bom estado geral, extremidades bem perfundidas, ausculta pulmonar normal, SpO2 preservada e sem queixas digestivas ou sinais de comprometimento multissistêmico. Assim, o anti-histamínico é suficiente para a manifestação cutânea, e a monitorização é adequada pela possibilidade de progressão nas primeiras horas após a ingestão. O uso de adrenalina fica reservado para anafilaxia, que não foi caracterizada no enunciado.
D
Errada
Está errada porque lavagem gástrica não trata a fisiopatologia da reação alérgica IgE-mediada já iniciada e não tem papel de rotina nesse contexto. É uma medida pensada para cenários de ingestão tóxica, não para hipersensibilidade alimentar aguda, e ainda acrescenta risco sem benefício esperado.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de rotular toda ingestão acidental de amendoim com urticária difusa como anafilaxia e também a leitura apressada da pressão arterial; o enunciado, porém, foi construído para indicar estabilidade clínica e reação cutânea isolada.
Dica para questões semelhantes
  • Não feche anafilaxia apenas pela presença de urticária disseminada após alimento; procure acometimento respiratório, cardiovascular, gastrointestinal importante ou multissistêmico.
  • Em pediatria, não interprete pressão arterial isoladamente fora do contexto: perfusão, estado geral e exame físico podem afastar instabilidade clinicamente relevante.
  • Anti-histamínico controla manifestação cutânea isolada, mas nunca substitui adrenalina quando surgem critérios de anafilaxia.
  • Após reação alimentar aguda sem sinais sistêmicos, observação hospitalar pode ser necessária pela possibilidade de progressão temporal do quadro.

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