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Q4237391 Medicina
Homem, 58 anos de idade, é trazido ao pronto-socorro com história de ingestão de soda cáustica. Foi realizada passagem de sonda nasoenteral. No segundo dia de internação, estava sem queixas e solicitou continuidade de recuperação domiciliar, pois sua esposa é enfermeira. O paciente apresenta postura reservada, solícito, fala pouco e diz não se conformar por ter ingerido por engano a soda cáustica que estava em uma garrafa igual à que usam para água. Quando o médico sugere uma consulta psiquiátrica, o paciente pede o favor de não chamar um psiquiatra, temendo o estigma, e acrescenta que tomará mais cuidado. Com base neste caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Quando há dúvida razoável sobre a intencionalidade da ingestão de cáustico e sobre a segurança da alta, o termo de responsabilidade não substitui a avaliação de capacidade, de risco e do contexto. Aqui, a narrativa pouco convincente de acidente, o comportamento reservado, a pouca fala e a recusa de avaliação psiquiátrica por estigma exigem esclarecimento das circunstâncias antes da alta, inclusive com familiares.

Tema central: Autonomia e risco suicida
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque confunde autonomia formal com decisão clinicamente válida. Assinatura de termo de alta a pedido não substitui avaliação de capacidade, de risco e de segurança quando há suspeita plausível de tentativa autolesiva ou de juízo comprometido sobre a própria alta.
B
Errada
Está errada porque o fato de a esposa ser enfermeira só poderia contribuir para cuidados técnicos domiciliares, mas não resolve o ponto decisivo da questão: esclarecer a circunstância da ingestão e avaliar risco psíquico. Suporte domiciliar presumido não substitui investigação do contexto nem reduz, por si, a preocupação com possível autoextermínio.
C
Certa
A alternativa C é a mais adequada porque, neste caso, os dados do enunciado não permitem tratar o pedido de alta como simples exercício autônomo de vontade. A combinação de ingestão de soda cáustica, relato pouco consistente de acidente e resistência à avaliação psiquiátrica obriga a ampliar a avaliação do contexto e a obter informações colaterais com familiares para qualificar a intencionalidade do evento, o risco de repetição e a segurança da continuidade do cuidado. Por isso, ela supera as demais opções, que ou simplificam indevidamente a autonomia, ou confundem suporte domiciliar com segurança clínica.
D
Errada
Está errada porque, embora a interconsulta psiquiátrica possa ser pertinente diante do quadro, a alternativa propõe omitir a especialidade do avaliador. Esse engano deliberado é eticamente inadequado e viola transparência e confiança terapêutica; portanto, a alternativa não pode ser a melhor conduta.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tratar o pedido de alta como autonomia automaticamente válida e escolher a opção com avaliação psiquiátrica sem perceber que ela contém erro ético por omitir a especialidade do avaliador.
Dica para questões semelhantes
  • Em alta a pedido, primeiro avalie se há dúvida razoável sobre capacidade decisional ou risco de autoagressão; só depois a autonomia pode ser tomada como plenamente exercível.
  • Narrativa inconsistente do evento, retraimento, minimização do episódio e recusa de psiquiatria por estigma são sinais que exigem aprofundamento e informação colateral de familiares.
  • Termo de responsabilidade não legitima alta insegura quando o risco psíquico relevante ainda não foi esclarecido.
  • Se a alternativa propõe conduta clinicamente plausível, verifique se ela embute violação ética específica, como ocultar do paciente quem o avaliará.

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