Mulher, 65 anos de idade, refere empachamento pós-prandial ...

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Q4237390 Medicina
Mulher, 65 anos de idade, refere empachamento pós-prandial eventual. Nega epigastralgia, pirose, regurgitação, disfagia, dor torácica ou náuseas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com IMC de 32 kg/m2 ; abdome flácido e indolor. Foi submetida a endoscopia digestiva alta que identificou hérnia hiatal volumosa, com mucosa esofágica sem alterações e pangastrite enantematosa leve. Na sequência, realizou exame de radiografia contrastado do esôfago que confirmou hérnia hiatal tipo III. Foi iniciado tratamento com omeprazol e domperidona, com resolução do sintoma. Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para esta paciente.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A indicação operatória na hérnia hiatal tipo III depende de sintomas relevantes, complicações ou falha do tratamento conservador, e não apenas da anatomia. Nesta paciente, há apenas empachamento pós-prandial eventual, ausência de sintomas típicos de DRGE, sem disfagia ou sinais de complicação, e com melhora clínica após omeprazol e domperidona; por isso, o seguimento ambulatorial é a conduta adequada.

Tema central: Indicação cirúrgica na hérnia hiatal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o diagnóstico anatômico já foi estabelecido por endoscopia e esofagograma contrastado. Manometria e pH-metria são exames funcionais úteis quando há dúvida sobre refluxo ou distúrbio motor, ou no preparo pré-operatório, mas não são necessários para definir a conduta nesta paciente, que não tem sintomas típicos de DRGE nem indicação cirúrgica atual.
B
Errada
Está errada porque hiatoplastia com fundoplicatura é conduta cirúrgica reservada sobretudo para pacientes sintomáticos, com complicações, refluxo relevante/refratário ou sinais mecânicos importantes. Nesta questão, faltam os critérios clínicos que sustentariam operação: não há disfagia, refluxo erosivo documentado, dor importante, obstrução, volvo, sangramento/anemia ou refratariedade ao tratamento.
C
Errada
Está errada porque o IMC de 32 kg/m2, isoladamente, não sustenta bypass gástrico como tratamento da hérnia hiatal neste caso. Não há contexto de indicação bariátrica/metabólica no enunciado, nem necessidade de escolher um procedimento combinado para controle de refluxo ou hérnia.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a hérnia hiatal tipo III, mesmo volumosa, não impõe correção cirúrgica automática. A decisão depende do quadro clínico, e aqui a paciente está oligossintomática, sem esofagite, sem disfagia, sem sinais mecânicos de obstrução, volvo, encarceramento ou isquemia, sem sangramento ou anemia descritos, e com melhora após tratamento conservador. Nesse cenário, o acompanhamento ambulatorial é aceitável.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de indicar cirurgia automaticamente ao ler 'hérnia hiatal volumosa' e 'tipo III'. O ponto real é que a classificação anatômica isolada não define a conduta; quem define é a presença de sintomas relevantes, complicações ou falha do tratamento clínico, ausentes neste caso.
Dica para questões semelhantes
  • Não decida pela operação apenas pelo tipo anatômico da hérnia; confirme se há sintomas importantes, complicações mecânicas ou refratariedade clínica.
  • Em hérnia hiatal, ausência de disfagia, obstrução, volvo, anemia/sangramento e refluxo relevante pesa contra cirurgia imediata.
  • Se o único sintoma melhora com tratamento conservador, isso afasta indicação operatória por refratariedade no momento.
  • Manometria e pH-metria não são obrigatórias quando o diagnóstico anatômico já está feito e esses exames não mudariam a conduta.

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