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Q4237386 Medicina
Mulher, 59 anos de idade, foi submetida a colecistectomia laparoscópica devido a colecistite aguda há 1 dia. Na operação não foi realizada colangiografia intraoperatória e não houve colocação de dreno abdominal. Desde o pós-operatório imediato, apresentou vômitos de repetição sem aceitação da dieta e dor abdominal em tratamento com dipirona e tramadol. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, eupneica, com FC de 95 bpm, PA de 120×70 mmHg, abdome doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. 

• Exames laboratoriais: Hb: 12 g/dL Leucócitos: 13.412/mm3 PCR: 90 mg/L Bilirrubina total: 1,1 /dL FA: 91 U/L GGT: 110 U/L Amilase: 100 U/L Lipase: 98 U/L 

Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta nesse momento. 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Vômitos desde o pós-operatório imediato, em paciente estável e em uso de tramadol, sem sinais clínicos ou laboratoriais de complicação biliar, pancreática ou intra-abdominal, apontam mais para náusea e vômito pós-operatórios/efeito adverso de opioide; por isso, a conduta inicial é suspender o tramadol e usar antiemético, sem imagem como primeiro passo.

Tema central: Vômitos no pós-operatório
Análise das alternativas
A
Errada
Suspender o tramadol faz sentido, mas a sonda nasogástrica não é a melhor conduta inicial aqui. Descompressão gástrica não é rotina para náusea e vômito pós-operatórios sem distensão abdominal importante, sem evidência de obstrução intestinal, sem peritonite e sem sinais de íleo significativo. É uma medida invasiva e excessiva para um quadro que, pelos dados fornecidos, é mais compatível com efeito adverso medicamentoso.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne as duas medidas coerentes com a hipótese mais provável neste momento: suspender o tramadol, que pode precipitar náuseas e vômitos no pós-operatório, e administrar ondansetrona para controle sintomático. O quadro favorece essa leitura porque a paciente está estável, sem icterícia, sem sinais peritoneais, com bilirrubina total e fosfatase alcalina normais e sem elevação de amilase/lipase compatível com pancreatite aguda. Assim, não há elemento objetivo que imponha investigação imediata de complicação biliar ou pancreática antes da conduta clínica inicial.
C
Errada
Tomografia de abdome seria justificável diante de suspeita concreta de complicação intra-abdominal, como coleção, perfuração, sepse, distensão importante, peritonismo ou deterioração clínica. Esses elementos não aparecem no caso. Dor abdominal no 1º dia após laparoscopia, sem irritação peritoneal, associada a exames sem padrão de complicação biliar ou pancreática, não sustenta tomografia como primeiro passo.
D
Errada
Colangiorressonância é exame direcionado para suspeita de doença da via biliar, como coledocolitíase residual, obstrução ou lesão biliar. Essa suspeita não se apoia nos dados do caso: não há icterícia, a bilirrubina total é normal e a fosfatase alcalina também. A ausência de colangiografia intraoperatória, isoladamente, não cria indicação automática de investigação pós-operatória da via biliar.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de supervalorizar leucocitose, PCR elevada, dor e ausência de colangiografia intraoperatória como se isso obrigasse investigação por imagem, quando o dado decisivo é a combinação de vômitos desde o pós-operatório imediato com uso de tramadol e ausência de sinais objetivos de complicação biliar, pancreática ou abdome agudo.
Dica para questões semelhantes
  • Em vômitos no pós-operatório imediato, procure primeiro gatilhos frequentes como opioides antes de concluir por complicação cirúrgica.
  • Suspeita de complicação biliar precisa de apoio clínico-laboratorial: icterícia, padrão colestático ou piora clínica tornam imagem mais justificável.
  • Amilase e lipase sem elevação diagnóstica afastam pancreatite aguda como explicação principal nesse contexto.
  • Sonda nasogástrica não é resposta automática para qualquer vômito pós-operatório; ela depende de evidência de retenção importante, obstrução ou íleo relevante.

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