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Q3989875 Português
TEXTO: ESSENCIALISMO GENÉTICO


A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo

Natalia Pasternak


    Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes. Quantas vezes você já teria ouvido que não pode ser filho biológico do casal? A crença de que cor dos olhos é uma herança determinada por um único gene, com alelo dominante (castanho) e alelo recessivo (azul ou verde), vem da maneira simplificada como abordamos genética no ensino fundamental e médio. Quem não se lembra do “Aa” e das tabelas de quadradinhos?
   Alguns autores estudam o ensino da genética mendeliana e sua influência na aceitação do chamado essencialismo, ou determinismo, genético. Essa ideia baseia-se no entendimento – enganoso – de que características fisiológicas e comportamentos são produtos lineares de um único gene. Ou seja, haveria um gene para cada característica: o gene da inteligência, por exemplo. O problema é que este tipo de herança é muito raro. A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros.
     O determinismo genético também desconsidera interações com o ambiente. Duas plantas da mesma espécie com o mesmo genoma podem ter alturas diferentes, por exemplo, dependendo do tipo de solo, quantidade de luz e nutrientes.
      E por que isto é um problema? Porque pode induzir a um “fatalismo” e crenças de que características como inteligência, aptidões, comportamentos e até mesmo suscetibilidade para doenças, são inatas, fixas e imutáveis. Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia. Os autores de uma pesquisa mediram conhecimento básico de genética, nível de crença em determinismo genético, crenças em dominação social, e crenças em eugenia.
      Exemplos de afirmações utilizadas para fazer essas medições incluem “alcoolismo é primariamente causado por fatores genéticos”, “criminosos não deveriam ser autorizados a se reproduzir e deixar descendentes”, e “esterilizar pessoas com características indesejadas pode melhorar gerações futuras”. Os resultados mostraram que quanto maior o entendimento de genética, menor a crença em determinismo, essencialismo, racismo e dominação social de um grupo sobre outro.
       A boa notícia é que é fácil corrigir o essencialismo. Pesquisadores conduziram uma série de experimentos controlados com crianças e adolescentes, alterando a maneira como a hereditariedade era ensinada na escola. Perceberam que nos grupos onde a genética era ensinada do modo tradicional, os alunos desenvolviam crenças deterministas, e nos grupos onde o tema era introduzido com estudos sobre diferenças e semelhanças genéticas entre populações, as crenças eram reduzidas. Os autores ainda testaram uma intervenção para corrigir as crenças deterministas, e concluíram que basta uma série de cinco aulas mostrando a baixa diversidade genética entre indivíduos, e que existe maior diversidade entre grupos do mesmo continente do que comparando continentes diferentes.
     Gregor Mendel, o monge católico do século 19 cujos experimentos com ervilhas deram origem ao modelo simplificado “Aa”, deve ser celebrado e ensinado nas escolas. Mas a genética mendeliana precisa ser ensinada como parte de um contexto maior, e não como a base de toda a genética e da hereditariedade.


Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-daciencia/post/2025/07/essencialismo-genetico.ghtml. Acesso em 12/02/2026. Fragmento
“Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia” (4º parágrafo). O verbo em destaque classifica-se como: 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho “Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia”, o verbo “mostraram” exige complemento sem preposição; a oração iniciada por “que” exerce a função de objeto direto oracional. Essa estrutura define sua classificação como transitivo direto e confirma o gabarito B.

Tema central: transitividade verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque “mostraram” não aparece sem complemento. O trecho traz explicitamente a oração “que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz...”, que completa o sentido do verbo. Logo, não se trata de verbo intransitivo.
B
Certa
A alternativa B está correta porque, no trecho dado, “mostraram” não tem sentido completo sozinho e é completado diretamente pela oração “que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia”. Como esse complemento não vem introduzido por preposição obrigatória, trata-se de objeto direto, ainda que em forma de oração subordinada substantiva objetiva direta.
C
Errada
Está errada porque não há preposição obrigatória ligando “mostraram” ao seu complemento. A oração iniciada por “que” exerce função de objeto direto, não de objeto indireto. Portanto, a classificação como transitivo indireto não se sustenta no período.
D
Errada
Está errada porque, no trecho, “mostraram” não exige dois complementos simultâneos. Há apenas um complemento verbal: a oração subordinada substantiva objetiva direta introduzida por “que”. Não aparece objeto indireto regido pelo verbo nessa construção.
Pegadinha da questão
A confusão real está em não reconhecer que a oração iniciada por “que” funciona como complemento de “mostraram”. Como o objeto direto aparece em forma oracional, a banca tenta induzir o candidato a ignorá-lo ou a tratá-lo como se houvesse regência preposicionada.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique o verbo pela estrutura em que ele aparece no trecho, não por possibilidades gerais que ele possa ter em outros contextos.
  • Se houver uma oração iniciada por “que” completando o sentido do verbo, verifique se ela funciona como objeto direto oracional.
  • Para distinguir transitivo direto de indireto, observe se o complemento é exigido com ou sem preposição obrigatória.

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Comentários

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  1. Identificação do Verbo: O verbo é "mostraram".
  2. Pergunta ao Verbo: Quem mostra, mostra alguma coisa.
  3. Identificação do Complemento: O que os estudos mostraram? "que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético".
  • Necessidade de Complemento: O verbo "mostrar" (neste contexto) é um verbo de conteúdo incompleto. Se dissermos apenas "Estudos mostraram", a frase carece de sentido.
  • Ausência de Preposição Obrigatória: O complemento liga-se ao verbo sem a necessidade de uma preposição (como de, em, para, com).
  • Objeto Direto Oracional: O termo que completa o sentido do verbo é uma oração inteira (iniciada pela conjunção integrante "que"). Portanto, o verbo é transitivo direto e o seu complemento é um Objeto Direto.
  • A) Intransitivo: Verbos intransitivos não precisam de complemento para fazer sentido (ex: "O bebê nasceu").
  • C) Transitivo Indireto: Exigiria uma preposição obrigatória para ligar o verbo ao seu objeto (ex: "Eles precisavam de ajuda").
  • D) Transitivo Direto e Indireto: Ocorre quando o verbo pede dois objetos simultaneamente — algo e a alguém (ex: "O professor mostrou o gráfico aos alunos"). No trecho da questão, o texto foca apenas no que foi mostrado.

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