Segundo ele, tratava-se de uma ilha árida, rica em sal e en...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4039736 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O passado português do estreito de Ormuz, no centro das atenções pela guerra no Irã 


Em uma crônica do século XVI, o historiador português João de Barros descreveu Ormuz como uma cidade localizada quase na entrada do estreito do mar da Pérsia. Segundo ele, tratava-se de uma ilha árida, rica em sal e enxofre, onde não crescia vegetação. Ainda assim, destacava-se pela imponência de seus edifícios e pela intensa atividade comercial, funcionando como ponto de encontro de mercadorias vindas do Oriente e do Ocidente. Mesmo sem produzir riquezas naturais, a cidade prosperava por meio do comércio, sendo comparada a uma joia valiosa em meio ao mundo.


Atualmente, em evidência por questões geopolíticas envolvendo conflitos no Oriente Médio, o estreito de Ormuz já integrou o conjunto de territórios conquistados por Portugal durante o período das Grandes Navegações. Ao contrário do que ocorreu no Brasil, a presença portuguesa na região teve caráter predominantemente estratégico. Os portugueses estabeleceram uma fortaleza e utilizaram a cidade situada na ilha de Gerum como ponto de apoio para embarcações que percorriam as rotas comerciais do Oceano Índico.


Apesar das condições naturais adversas, a localização privilegiada de Ormuz favoreceu o surgimento de uma cidade cosmopolita, essencial para a navegação de cabotagem, prática comum na época, que exigia paradas frequentes para abastecimento e comércio. A principal marca da presença portuguesa é o Forte de Nossa Senhora da Conceição, inaugurado em 1515, cujas ruínas permanecem preservadas como patrimônio histórico.


A relevância de Ormuz, no entanto, é muito anterior à chegada dos portugueses. Registros indicam sua importância comercial desde pelo menos o século II. Inicialmente situada no interior do império persa, a cidade foi posteriormente transferida para a ilha de Gerum após sucessivos ataques, o que fortaleceu ainda mais sua posição estratégica. A partir daí, consolidou-se como centro de circulação de rotas comerciais que conectavam diversas regiões da Ásia e da Europa.


O interesse português pela região intensificou-se após a expedição de Vasco da Gama, que evidenciou a importância de Ormuz como elo entre rotas marítimas e caravanas terrestres. A cidade exercia domínio sobre áreas costeiras e ilhas do Golfo Pérsico, além de manter um comércio diversificado, com destaque para a exportação de cavalos à Índia, produto de grande valor estratégico. Também eram negociados itens como pérolas, especiarias, metais e tecidos, enquanto importavam-se alimentos e produtos aromáticos.


O domínio português foi consolidado a partir das ações de Afonso de Albuquerque, que, em 1507, iniciou a conquista da região. Após acordos e conflitos, a presença lusitana se firmou em 1515, quando a cidade foi definitivamente submetida. Ormuz passou a integrar o sistema comercial português, funcionando como elo entre as rotas do Oriente e os mercados ocidentais, além de permitir o controle e a tributação das mercadorias que circulavam pelo estreito. Esse domínio, entretanto, não foi permanente. A posição estratégica da região a tornou alvo de disputas constantes, especialmente por parte do Império Otomano e, posteriormente, de forças persas com apoio inglês. Em 1622, após meses de cerco, as tropas portuguesas foram derrotadas e expulsas, encerrando sua presença no Golfo Pérsico.


Assim, a história de Ormuz revela a importância geopolítica e comercial do estreito ao longo dos séculos, destacando-se como ponto central nas disputas por controle das rotas entre Oriente e Ocidente. 


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cedz755qj05o.adaptado. 

Segundo ele, tratava-se de uma ilha árida, rica em sal e enxofre.


Assinale a alternativa CORRETA quanto à análise sintática dos termos essenciais da oração. 

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: Na oração "Segundo ele, tratava-se de uma ilha árida, rica em sal e enxofre.", a construção pronominal "tratar-se de", no sentido de "ser/consistir em", é impessoal: não admite sujeito, e o segmento introduzido por "de" funciona como complemento verbal/preposicionado, não como sujeito.

Tema central: oração sem sujeito
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A coincide com a análise sintática tradicional da estrutura "tratava-se de". Nessa construção, "tratava-se" é o núcleo verbal do predicado, e "de uma ilha árida, rica em sal e enxofre" é complemento exigido pela locução verbal. Como não há sujeito e também não há predicativo do sujeito, a classificação correta é oração sem sujeito com predicado verbal.
B
Errada
Está errada em dois pontos. Primeiro, não há sujeito indeterminado, porque a estrutura não é de indeterminação do sujeito, mas de impessoalidade de "tratar-se de". Segundo, o predicado não é verbo-nominal, porque os termos "árida" e "rica em sal e enxofre" qualificam o nome "ilha" dentro do complemento preposicionado; eles não exercem função de predicativo autônomo.
C
Errada
Está errada porque "uma ilha árida, rica em sal e enxofre" não pode ser sujeito nessa oração: o trecho vem introduzido pela preposição "de", exigida por "tratar-se de", e por isso integra o complemento verbal. Também é incorreto dizer que há verbo de ligação, pois "tratar-se" nessa construção é verbo pronominal impessoal, não verbo de ligação.
D
Errada
Está errada porque não existe sujeito oculto recuperável no contexto. A expressão "Segundo ele" apenas introduz a fonte da informação e não fornece sujeito para a oração analisada. Além disso, não há predicado nominal, já que não se atribui característica a sujeito implícito; o que há é complemento de uma construção impessoal.
Pegadinha da questão
A banca explorou a tendência de transformar "de uma ilha árida, rica em sal e enxofre" em sujeito ou em predicativo do sujeito só porque há um substantivo com adjetivos após o verbo. Na estrutura "tratar-se de", esse trecho é complemento preposicionado, não sujeito.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o verbo está numa construção impessoal antes de procurar sujeito.
  • Em "tratar-se de", o termo iniciado por "de" não vira sujeito; ele integra o complemento da construção verbal.
  • A presença de adjetivos após o verbo não basta para formar predicado nominal ou verbo-nominal; é preciso haver predicativo do sujeito ou do objeto.
  • Não confunda oração sem sujeito com sujeito indeterminado ou sujeito oculto: são classificações diferentes.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

O sujeito é inexistente, e o predicado é verbal, tendo como núcleo o verbo "tratava-se". 

GAB: A

alguém pode explicar?

Por estar diante de um Índice de Indeterminação do Sujeito, não deveria ser sujeito indeterminado?

Tratar é VTI.

Segue explicação do gemini:

Em português, o sujeito nunca pode vir precedido de uma preposição que o ligue diretamente ao verbo.

Se você olhar a frase:

A palavra "ilha" está sob o comando da preposição de. Como o sujeito é o termo regente (ele manda no verbo), ele não aceita essa preposição. Quem exige a preposição de é o verbo tratar-se (quem se trata, trata-se de algo). Logo, tudo o que vem depois do "de" se torna o Objeto Indireto do verbo.

O verbo tratar sozinho pode ter sujeito (ex: "O médico tratou o paciente"). Mas quando ele é usado com o pronome "se" e a preposição "de" (tratar-se de), ele ganha um sentido de existência ou referência (equivale a "era", "existia" ou "consistia em").

Nesse uso específico, a gramática classifica o verbo como impessoal (por sintaxe) ou com sujeito indeterminado. Veja a diferença:

  • Com sujeito: "A ilha era árida." (Quem era árida? A ilha = Sujeito).
  • Sem sujeito: "Tratava-se de uma ilha árida." (O verbo apenas lança a informação no ar, indicando o que era, mas sem atribuir a ação a um sujeito).

Se tentássemos passar a frase para o plural, por exemplo, o verbo continuaria no singular:

Essa imutabilidade do verbo (ficar sempre na 3ª pessoa do singular) é o maior sinal de que não existe um sujeito com quem ele possa concordar. "Uma ilha" é apenas o assunto, o complemento da informação!

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo