A trajetória pública da tecnologia nas últimas décadas
pode ser descrita como uma transição entre três
momentos distintos. No primeiro, predominou a
tecnoutopia: a crença de que a internet e as plataformas
digitais seriam intrinsecamente democratizantes,
capazes de distribuir conhecimento, reduzir
desigualdades e ampliar a liberdade individual. Esse
otimismo estava ancorado na chamada "ideologia
californiana" − conceito elaborado por pesquisadores de
mídia britânicos em meados dos anos 1990 −, que
combinava o espírito rebelde e inventivo dos pioneiros
da tecnologia com os valores do capitalismo liberal,
resultando na crença de que o mercado privado, livre de
intervenção estatal, seria o melhor administrador da vida
social. No segundo momento, emergiu o capitalismo de
vigilância, descrito pela pesquisadora Shoshana Zuboff
como um modelo econômico que reivindica
unilateralmente a experiência humana como
matéria-prima gratuita, convertendo comportamentos, preferências e emoções dos usuários em dados
comercializáveis. No terceiro momento, consolidou-se o
tecnoniilismo: um ceticismo crescente em relação às
promessas da tecnologia, alimentado por escândalos
envolvendo uso indevido de dados, disseminação de
desinformação e inação das plataformas diante de
discursos de ódio. Críticos do tecnoniilismo, porém,
alertam que o ceticismo, por si só, é insuficiente − sendo
necessário apresentar soluções e retomar a capacidade
coletiva de imaginar uma outra relação com a tecnologia.
Com base no contexto apresentado, assinale a
alternativa correta:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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