No trecho “Não é esse o ofício dos deuses?” (l.21), o prono...

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Q2725432 Português

1 Os garotos alexandrinos não trataram os dois sábios

com o escárnio dos garotos cipriotas. A terra era grave como

a íbis pousada numa só pata, pensativa como a esfinge,

4 circunspecta como as múmias, dura como as pirâmides; não

tinha tempo nem maneira de rir. Cidade e corte, que desde

muito tinham notícias dos nossos dois amigos, fizeram-lhes

7 um recebimento régio, mostraram conhecer seus escritos,

discutiram as suas idéias, mandaram-lhes muitos presentes,

papiros, crocodilos, zebras, púrpuras. Eles, porém, recusaram

10 tudo, com simplicidade, dizendo que a filosofia bastava ao

filósofo, e que o supérfluo era um dissolvente. Tão nobre

resposta encheu de admiração tanto aos sábios como aos

13 principais e à mesma plebe. E aliás, diziam os mais sagazes,

que outra coisa se podia esperar de dois homens tão

sublimes, que em seus magníficos tratados...

16 — Temos coisa melhor do que esses tratados,

interrompia Stroibus. Trago uma doutrina, que, em pouco,

vai dominar o universo; cuido nada menos que em

19 reconstituir os homens e os Estados, distribuindo os talentos

e as virtudes.

— Não é esse o ofício dos deuses? Objetava um.

22 — Eu violei o segredo dos deuses, acudia Stroibus.

O homem é a sintaxe da natureza, eu descobri as leis da

gramática divina...

25 — Explica-te.

— Mais tarde; deixa-me experimentar primeiro.

Quando a minha doutrina estiver completa, divulgá-la-ei

28 como a maior riqueza que os homens jamais poderão receber

de um homem.

Imaginem a expectação pública e a curiosidade dos

31 outros filósofos, embora incrédulos de que a verdade recente

viesse aposentar as que eles mesmos possuíam. Entretanto,

esperavam todos. Os dois hóspedes eram apontados na rua

34 até pelas crianças. Um filho meditava trocar a avareza do pai,

um pai a prodigalidade do filho, uma dama a frieza de um

varão, um varão os desvarios de uma dama, porque o Egito,

37 desde os Faraós até aos Lágides, era a terra de Putifar, da

mulher de Putifar, da capa de José, e do resto. Stroibus

tornou-se a esperança da cidade e do mundo.

Machado de Assis. Conto Alexandrino. In: John Gledson. 50 Contos

de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 193.

Com relação às idéias e às estruturas lingüísticas do texto acima, julgue os itens de 1 a 13.

No trecho “Não é esse o ofício dos deuses?” (l.21), o pronome demonstrativo refere-se ao objeto da doutrina de Stroibus.

Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Alternativa correta: C - certo

Vamos entender o enunciado da questão e por que a alternativa correta é a letra C.

No trecho “Não é esse o ofício dos deuses?”, o pronome demonstrativo "esse" refere-se ao objeto da doutrina de Stroibus. Ou seja, a frase questiona se a tarefa de reconstituir os homens e os Estados, distribuindo talentos e virtudes, não seria algo que pertence aos deuses, conforme a doutrina apresentada por Stroibus.

Para resolver essa questão, é necessário compreender como os pronomes demonstrativos funcionam no português. Eles são usados para retomar algo que foi mencionado anteriormente no texto, fornecendo coesão à estrutura linguística.

No contexto do texto fornecido, Stroibus afirma que sua doutrina tem como objetivo distribuir talentos e virtudes entre os homens, uma tarefa que parece grandiosa e divina. O pronome "esse" retoma justamente essa ideia grandiosa, referindo-se ao que Stroibus pretende fazer com sua doutrina.

Vamos analisar cada parte do enunciado da questão para garantir que o entendimento esteja claro:

  • Trecho: “Não é esse o ofício dos deuses?”

  • Pronome demonstrativo: "esse"

  • Objeto da doutrina de Stroibus: Reconstituir os homens e os Estados, distribuindo talentos e virtudes.

Assim, a frase questiona se essa tarefa grandiosa não deveria ser algo realizado pelos deuses, e não por um homem. Esse questionamento é direto e lógico, considerando a estrutura do texto e o contexto da doutrina de Stroibus.

Alternativa correta justificada:

A alternativa C está correta porque o pronome demonstrativo "esse" realmente se refere ao objeto da doutrina de Stroibus, que é a distribuição de talentos e virtudes, como mencionado no texto anterior.

Alternativas incorretas:

Como a questão é de julgamento de itens (C - certo, E - errado), a única alternativa incorreta seria a marcação E - errado, que indicaria que o pronome "esse" não se refere ao objeto da doutrina de Stroibus. No entanto, como já justificamos, essa interpretação estaria incorreta, pois o pronome "esse" claramente retoma a ideia apresentada sobre a doutrina de Stroibus.

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