As normas de concordância verbal estão plenamente observadas...

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Q3883917 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.


Sobre as vaidades


    A vaidade é humana. Em alguma medida, todos somos vaidosos. Há inclusive a vaidade de quem vaidosamente confessa que não é vaidoso. A questão não é se ela está ou não em nós; a questão é o que fazer com ela.

    Antes de mais nada, é preciso distinguir entre as formas pelas quais a vaidade opera. Há aquela que um individuo alimenta por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade pelo simples fato de ser quem é. É o caso de quem costuma dizer para quem não o identifica como um ser especial: "Você não me conhece..." Essa é uma vaidade odiosa, pois por ela a pessoa se impõe apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se sentir como um deus.

    Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho socialmente útil, um gesto de solidariedade, um esforço consequente e positivo, um engajamento, um compromisso sério. É a vaidade de quem expande sua vida na direção do outro, e fica feliz pelo sucesso desse empreendimento. Essa é a vaidade justificável, com base objetiva, que resultou de um ato verdadeiramente virtuoso.

    Em suma: há a vaidade de quem afirma "sou vaidoso pelo que sou" e há a vaidade de quem pode afirmar "estou vaidoso pelo que faço". Não é difícil compreender como é longo esse caminho que vai do "simplesmente ser" para o "aplicar-se num fazer". É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.


(Leodegário Corsi, a editar)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase: 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto que decide a questão é o comando "As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:", que exige verificar, em cada alternativa, se o verbo concorda corretamente com seu sujeito nas estruturas apresentadas. Aplicando esse critério, só a alternativa D mantém a concordância regular, porque o verbo de ligação "é" concorda com o sujeito singular "A vaidade"; nas demais, há erro com "haver" impessoal, com a construção de "caber", com a voz passiva sintética e com a locução "ser" + adjetivo + infinitivo.

Tema central: Concordância verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Há erro em "haveriam". Quando "haver" tem sentido de existir, ele é impessoal e fica obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. Portanto, o correto seria "haveria entre nós", e não "haveriam entre nós". O plural "vaidades" não é sujeito do verbo.
B
Errada
Há inadequação na concordância de "cabem". Nessa construção, o verbo deve concordar com a oração infinitiva que funciona como sujeito, em valor singular: "buscar(se) afirmar". Já "às pessoas vaidosas" é complemento indireto e não determina o plural do verbo. Por isso, a construção regular é "Não cabe às pessoas vaidosas...", não "Não cabem".
C
Errada
Há erro de concordância na voz passiva sintética. Em "Distinga-se ... as razões", a partícula "se" é apassivadora, e o sujeito paciente é plural: "as razões". Logo, o verbo deve ir para o plural: "Distingam-se". O singular "Distinga-se" contraria a concordância exigida pela estrutura.
D
Certa
Na alternativa D, a concordância verbal está correta porque o sujeito da oração é singular: "A vaidade que a todos nos assalta". Por isso, o verbo de ligação deve ficar no singular: "é". A expressão "dos sentimentos" está no predicativo e não comanda a concordância verbal. O acerto da frase está justamente em não fazer a concordância por atração com esse termo plural.
E
Errada
A locução verbal está inadequada em "seriam preciso distinguir". Em construções com "ser" + adjetivo + infinitivo, a forma consagrada é invariável: "é preciso distinguir", "seria preciso distinguir". O plural em "seriam" foi provocado indevidamente pela presença de "tipos", que não funciona como sujeito da locução na frase apresentada.
Pegadinha da questão
A banca explorou concordâncias por atração: fazer o verbo concordar com um termo plural próximo e não com o sujeito real, além de induzir erro em estruturas específicas como "haver" impessoal, voz passiva sintética e "ser" + adjetivo + infinitivo.
Dica para questões semelhantes
  • Em "haver" com sentido de existir, mantenha o verbo no singular, mesmo com termo plural na oração.
  • Na voz passiva sintética com "se", localize o sujeito paciente e faça o verbo concordar com ele.
  • Em construções com "caber", verifique se o sujeito é uma oração; nesse caso, não deixe o complemento indireto puxar o verbo para o plural.
  • Em verbo de ligação, a concordância se faz com o sujeito, não com elemento plural do predicativo.

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Comentários

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RESPECTIVOS ERROS:

De todas as vaidades que haveriam entre nós, a pior é a que se afirma sem razão de ser.

  • HAVER NO SENTIDO DE EXISTIR --> É IMPESSOAL ( FICA NO SINGULAR)

Não cabem às pessoas vaidosas buscarem se afirmar apenas pelo que se julgam ser.

  • CABE*

Distinga-se, para a caracterização da vaidade, as razões que estariam na base desse sentimento.

  • DISTINGAM-SE*

A vaidade que a todos nos assalta é dos sentimentos o que mais nos aflige.

  • CORRETA A CONCORDÂNCIA

Entre os clássicos tipos de vaidade seriam preciso distinguir os mais comprometedores.

  • DISTINGUIREM*

GABARITO D

A alternativa correta é a D.

Esta é uma questão clássica de concordância verbal que exige atenção aos sujeitos e às regras de verbos impessoais e estruturas passivas. Vamos analisar cada alternativa:

  • A) Errada. O erro está no verbo haver. Quando o verbo "haver" tem sentido de "existir", ele é impessoal e deve ficar obrigatoriamente no singular.
  • B) Errada. O erro está na concordância do verbo caber. O sujeito da oração é "buscarem se afirmar" (oração subordinada substantiva subjetiva). Quando o sujeito é uma oração, o verbo principal deve ficar no singular.
  • C) Errada. Aqui temos a partícula apassivadora "se". O sujeito da oração é "as razões", que está no plural. Portanto, o verbo deve concordar com o sujeito passivo.
  • D) CORRETA. Nesta frase, todos os elementos concordam perfeitamente:
  1. "A vaidade... assalta" (concorda com vaidade).
  2. "A vaidade... é dos sentimentos" (concorda com vaidade).
  3. "...o que mais nos aflige" (o termo "o que" retoma "o sentimento", singular).
  • E) Errada. O erro está na expressão de medida/necessidade. Quando o verbo "ser" faz parte de expressões como "é preciso", "é necessário", e não há artigo definindo o substantivo, ele fica no singular. Além disso, "seria" concorda com o ato de distinguir.

Verbo / ExpressãoRegra de OuroExemplo do TextoHaver (existir)Sempre Singular."Haveria vaidades"Verbo + SEConcorda com o objeto que vira sujeito."Distingam-se razões"Sujeito OracionalVerbo sempre no Singular."Cabe [fazer algo]"É precisoInvariável (salvo se houver artigo)."Seria preciso"

D

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