Ao tratar das duas formas pelas quais a vaidade opera, o aut...

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Q3883915 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.


Sobre as vaidades


    A vaidade é humana. Em alguma medida, todos somos vaidosos. Há inclusive a vaidade de quem vaidosamente confessa que não é vaidoso. A questão não é se ela está ou não em nós; a questão é o que fazer com ela.

    Antes de mais nada, é preciso distinguir entre as formas pelas quais a vaidade opera. Há aquela que um individuo alimenta por se sentir melhor do que os outros, a vaidade de quem já parece ter nascido como um ser superior. A pessoa justifica sua vaidade pelo simples fato de ser quem é. É o caso de quem costuma dizer para quem não o identifica como um ser especial: "Você não me conhece..." Essa é uma vaidade odiosa, pois por ela a pessoa se impõe apenas por ser quem é, dispensando qualquer razão para se sentir como um deus.

    Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou: uma obra, um apoio afetivo, um trabalho socialmente útil, um gesto de solidariedade, um esforço consequente e positivo, um engajamento, um compromisso sério. É a vaidade de quem expande sua vida na direção do outro, e fica feliz pelo sucesso desse empreendimento. Essa é a vaidade justificável, com base objetiva, que resultou de um ato verdadeiramente virtuoso.

    Em suma: há a vaidade de quem afirma "sou vaidoso pelo que sou" e há a vaidade de quem pode afirmar "estou vaidoso pelo que faço". Não é difícil compreender como é longo esse caminho que vai do "simplesmente ser" para o "aplicar-se num fazer". É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.


(Leodegário Corsi, a editar)
Ao tratar das duas formas pelas quais a vaidade opera, o autor do texto as distingue claramente,
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o juízo de valor explícito com que o autor opõe duas formas de vaidade: "Essa é uma vaidade odiosa [...] Mas há também a vaidade de quem se orgulha por algo que efetivamente realizou [...] Essa é a vaidade justificável, com base objetiva [...] É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva." Essa oposição textual entre vaidade fundada no "ser" e vaidade fundada no "fazer" sustenta o gabarito E.

Tema central: formas de vaidade
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto não enaltece a razão subjetiva do vaidoso que se considera especial por ser quem é. Essa primeira forma recebe avaliação negativa explícita: "Essa é uma vaidade odiosa" e, ao final, ela é associada à "vaidade vazia". O autor expõe essa postura para condená-la, não para valorizá-la.
B
Errada
Está errada porque o texto não condena toda forma de vaidade. Ao contrário, admite expressamente uma modalidade legítima: "Essa é a vaidade justificável, com base objetiva". Portanto, a alternativa contradiz frontalmente o trecho em que o autor reconhece uma vaidade defensável.
C
Errada
Está errada porque o texto emite, sim, juízo de valor claro sobre as duas formas. A primeira é chamada de "odiosa"; a segunda, de "justificável" e ligada a "ação construtiva". Não há neutralidade descritiva: há avaliação explícita e contrastiva.
D
Errada
Está errada porque a relação construída entre as duas formas de vaidade é de oposição, não de complementação. O texto marca a distância entre elas ao contrapor o "ser" ao "fazer" e ao encerrar com "É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva." Isso exclui a ideia de que uma funcione como complemento natural da outra.
E
Certa
A alternativa E se sustenta porque capta o núcleo da distinção feita no texto: a primeira vaidade é reprovada por se fundar apenas no que a pessoa supõe ser; a segunda é aprovada por se apoiar em algo que "efetivamente realizou" e por ter "base objetiva". O texto também resume essa oposição em "sou vaidoso pelo que sou" versus "estou vaidoso pelo que faço", o que confirma a valorização da vaidade ligada a realizações concretas. Embora a redação da alternativa intensifique a formulação do texto ao falar em "superioridade objetiva", ela permanece compatível com a defesa textual da vaidade fundada em realizações objetivas.
Pegadinha da questão
A banca explora a leitura superficial que percebe apenas que o texto fala de vaidade e ignora que ele hierarquiza dois tipos por meio de marcas avaliativas explícitas como "odiosa", "justificável", "vazia" e "ação construtiva".
Dica para questões semelhantes
  • Em questões de interpretação comparativa, localize primeiro os adjetivos e expressões valorativas que mostram se o autor aprova ou reprova cada elemento comparado.
  • Quando o texto opõe duas formulações, como "ser" e "fazer", verifique se a relação é de contraste, hierarquia ou complementação; não suponha equivalência.
  • Não confunda a exposição da fala ou da justificativa de uma personagem ou postura com adesão do autor a ela.

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Comentários

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 alternativa correta é a E.

Para responder a essa questão, precisamos analisar como o autor se posiciona em relação aos dois tipos de vaidade que ele descreve. O texto não é neutro; ele estabelece uma clara hierarquia de valores.

O autor utiliza adjetivos e expressões de peso para diferenciar as duas vaidades:

  1. A vaidade do "ser" (vazia): É classificada como "odiosa" e baseada em uma suposta superioridade inata, sem justificativa real ("dispensando qualquer razão").
  2. A vaidade do "fazer" (realização): É descrita como "justificável", com "base objetiva" e fruto de um "ato verdadeiramente virtuoso".

Ao dizer que a vaidade do fazer é "justificável" e "virtuosa", o autor está, de fato, defendendo a superioridade objetiva (baseada em fatos, obras e ações) de quem sente orgulho pelo que realizou, em contraste com a vaidade "vazia" de quem se acha superior apenas por existir.

  • A: O autor faz o oposto. Ele critica a razão subjetiva ("sou especial porque sim") e enaltece a objetiva ("fiz algo útil").
  • B: Ele não nega ambos os tipos. Ele defende explicitamente que a vaidade baseada em ações construtivas é positiva e aceitável.
  • C: O autor emite, sim, um forte juízo de valor. Ele chama uma de "odiosa" e a outra de "virtuosa".
  • D: Elas não são complementares, mas sim opostas. O texto enfatiza a "distância" e o "longo caminho" entre o ser e o fazer.

no texto o autor relata ''  É a distância entre a vaidade vazia e a vaidade que decorre de uma ação construtiva.'' Deixando a entender que a construida seria algo justificado.

Que nossa vaidade venha do nome no diário oficial.

E

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