A hipertensão caracteriza piora importante da função renal, ...
Um homem de setenta e cinco anos de idade, portador de doença renal crônica secundária e glomerulonefrite, em tratamento conservador com a nefrologia, foi atendido em ambulatório com relato de quadro de cefaleia occipital, pulsátil, predominante no período vespertino, associada a tonturas e insônia. Ao ser indagado, o paciente informou que esse quadro persistia havia três meses e que, por ser asmático, fazia uso crônico de broncodilatador e corticoide em doses baixas. Além disso, devido à anemia com estoques de ferro normais, havia três meses que fazia uso (três vezes por semana) de eritropoetina 4.000 UI SC. O médico foi informado, ainda, de que, nas últimas consultas, a pressão arterial do paciente estava normal e que, na consulta mais recente, apresentou os seguintes achados clínicos: PA = 160 mmHg × 100 mmHg (sem outras alterações cardiológicas); Cr = 4,3 mg\dL; Ur = 88 mg\dL (níveis semelhantes aos da consulta anterior); Hb = 12,6; Ht = 36%; Na = 138 mEq\L; K+ = 3,5 mEq\L; ausculta respiratória normal e peso = 89 kg.
A respeito do caso clínico apresentado, julgue o seguinte item.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (Errado)
Comentário:
Esta questão aborda um paciente idoso com doença renal crônica (DRC), em tratamento com eritropoetina para anemia, que passou a apresentar níveis elevados de pressão arterial.
1. Tema central: Relação entre hipertensão e função renal em pacientes com DRC, considerando o uso de eritropoetina.
2. Fundamentação para a alternativa correta ("Errado"): A hipertensão arterial apresentada pelo paciente, neste contexto, não indica por si só piora importante da função renal, pois os níveis de ureia e creatinina permanecem estáveis. A elevação pressórica, após o início da eritropoetina, é um efeito adverso comum desse medicamento, ocorrendo em até 40% dos pacientes. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2020: “A administração de eritropoetina pode provocar aumento dos níveis pressóricos, exigindo frequentemente ajuste da terapia anti-hipertensiva.”
3. Análise da alternativa incorreta ("Certo"): Dizer que a hipertensão, isoladamente, em paciente com exames renais estáveis, caracteriza piora da função renal é um equívoco conceitual. Pela fisiopatologia, em DRC a deterioração renal costuma cursar com elevações concomitantes de ureia e creatinina, além de outros sinais clínicos.
4. Estratégia de prova e possíveis pegadinhas: Atenção ao enunciado: níveis “semelhantes aos da consulta anterior” indicam estabilidade renal. Não assuma relação direta entre hipertensão e piora aguda renal sem respaldo laboratorial. Pegadinhas frequentes exploram associações simplistas!
Diretriz relevante: A meta pressórica para pacientes com DRC, conforme diretrizes nacionais, é PA < 130/80 mmHg. Hipertensão pode ser desencadeada por eritropoetina, independentemente da função renal.
Resumo: Neste caso, a hipertensão não indica declínio renal importante, mas sim um possível efeito colateral do tratamento atual, devendo ser manejada com otimização dos anti-hipertensivos, conforme as recomendações clínicas (BJN, 2019).
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