Todos nós usamos “máscaras”. E isso não quer dizer
que tenhamos a intenção de enganar o mundo
A síndrome do impostor é, na verdade, o conflito
interno que denuncia a distância entre o nosso íntimo e
a forma como nos projetamos no mundo.
Todos nós usamos “máscaras”. E isso não quer dizer
que tenhamos a intenção de enganar o mundo, mas
apenas que existe, dentro de nós, a necessidade de
sermos aceitos.
Somos cercados de protocolos: a receita pronta do
sucesso profissional, o modelo perfeito de família, o
padrão estético massificado, as convenções sociais
sobre o que é certo e errado, ou sobre o que é nobre e
fútil, valoroso ou inútil. E nos desdobramos para fazer
nossas peças se encaixarem no quebra-cabeça dessas
formatações, porque, no fundo, queremos pertencer.
A necessidade de pertencer é, inclusive, legítima.
Somos seres sociais, afinal de contas. O problema
começa quando colocamos a vontade de sermos aceitos
à frente das nossas verdadeiras pulsões. E, assim, para
nos adaptarmos ao senso comum, criamos um
personagem.
É natural modificarmos sutilmente nossas atuações
quando se altera o contexto. Mas, no momento em que
as adaptações se tornam afrontas à nossa própria
liberdade, estamos caindo na cilada de vestir a fantasia
do personagem.
É razoável alterarmos sutilmente nossas condutas
quando estamos num ambiente profissional, por
exemplo. Mas não é equilibrado, por exemplo, ser uma
pessoa em casa e outra radicalmente diferente no
trabalho.
As adaptações feitas por bom senso e respeito aos
ambientes que nos cercam são válidas. Mas adaptações
sutis não geram efeito colateral. O que nos adoece por
dentro é a dose errada de transformação que nos
dispomos a fazer na tentativa de pertencer.
Quanto menor for a distância entre quem somos e a
forma como nós atuamos no mundo, mais livres,
autênticos e inteiros vamos nos sentir. E, quanto mais
distante for o nosso universo interno das duas atuações
no mundo externo, maiores as chances de nos sentirmos
impostores.
Um impostor habilidoso pode convencer o mundo, mas
não há performance boa o suficiente para enganar a si.
Aplausos seduzem o ego, mas não acalmam os estragos
que a falta de integridade provoca na essência. Quanto
mais espessa for a máscara, maior a dose de solidão
quando as cortinas se fecham. Porque solidão, ao
contrário do que muitos pensam, não é falta do outro, é
falta de si. E nada nos distancia mais de nós mesmos do
que nos projetarmos no mundo de uma forma que, no
íntimo, nem somos.
O Yoga ensina que, quando o falar e o agir estão em
sintonia com o sentir, é sinal de que estamos inteiros. E
desse alinhamento nasce um tipo de autoestima que não
é baseado em imagem, e sim em integridade. E não
existe melhor remédio para a tal síndrome do impostor
do que ser em público o mais próximo possível de quem
se é no privado.
O trecho “Mas, no momento em que as adaptações
se tornam afrontas à nossa própria liberdade, estamos
caindo na cilada de vestir a fantasia do personagem.”
pode ser reescrito, mantendo o mesmo sentido, da
seguinte forma:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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