O desconforto respiratório com hipoxemia apresentado pelo p...

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Q1375588 Medicina

Um homem de trinta e oito anos de idade, com 85 kg de peso, sem antecedentes patológicos conhecidos, foi atendido em pronto-socorro, queixando-se de dor de forte intensidade em região oral, na região lateral direita da mandíbula, com três dias de evolução. Ao ser indagado, negou ter apresentado febre ou qualquer outro sintoma. No exame físico, em que o paciente se mostrou consciente e orientado no tempo e no espaço, foram obtidos os seguintes resultados: Glasgow 15, sem alterações cardiológicas e pulmonares detectáveis; pressão arterial de 129 mmHg × 86 mmHg; FC = 88 bpm; FR = 18 ipm; Sat = 96% em ar ambiente. Na oroscopia, foi revelada cratera em 2.º molar, com hiperemia gengival intensa periodôntica correspondente. Os exames laboratoriais apresentaram os seguintes resultados: Hemograma completo: Hb = 14,5; Ht = 46%; plaquetas = 190.000; leucócitos = 8.700 (sem desvio). Bioquímica: Cr =1,1; Ur = 30; TGO =12; TGP = 15. Eletrólitos: Na+ = 138 mEq/L; K+ = 3,8 mEq/L; Cl =108 mEq/L. Com fundamento no quadro apresentado, foi realizada analgesia; o paciente recebeu alta médica e foi orientado a procurar serviço de odontologia. Todavia, após quarenta e oito horas, o paciente retornou ao pronto atendimento, sem realizar a avaliação odontológica requisitada anteriormente, queixando-se de mal-estar geral. No exame físico, o paciente apresentou sonolência (Glasgow 13), taquidispneia, com FR = 29 ipm e PA = 95 mmHg × 55 mmHg e débito urinário de 200 mL em 12 horas. Os novos controles laboratoriais revelaram os seguintes resultados: Hb + 13,6; Ht = 40%; plaquetas = 89.000; Cr = 2,5; lactato = 4,5mmol/L. Foi realizada gasometria arterial, em que o paciente utilizou oxigênio com fração inspiratória de 35%, da qual se obtiveram os seguintes resultados: pH = 7,30; Bic = 18 mEq; pO2 = 69 mmHg; pCO2 = 31 mmHg. Os raios X de tórax não apresentaram alterações.


A partir do caso clínico precedente, julgue s item que se segue.

O desconforto respiratório com hipoxemia apresentado pelo paciente sugere o diagnóstico de síndrome da angústia respiratória aguda.
Alternativas

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Gabarito: E (Errado)

Tema central: O caso aborda insuficiência respiratória aguda, destacando o diagnóstico diferencial entre síndrome da angústia respiratória aguda (SARA) e demais causas de hipoxemia.

Justificativa da alternativa correta

A partir do quadro clínico e exames apresentados, há elementos compatíveis com insuficiência respiratória aguda e sepse grave de provável origem odontogênica, mas não há critérios suficientes para SARA.

Segundo o Protocolo de Manejo Clínico da Covid-19 na Atenção Especializada (Ministério da Saúde, p. 44) e os critérios de Berlim:

  • Hipoxemia (PaO₂/FiO₂ = 197): Valor se encaixa em SARA leve.
  • Início agudo: Presente.
  • Alterações radiológicas: AUSENTES (Rx de tórax sem alterações; critério essencial para SARA).
  • Edema pulmonar não explicável por insuficiência cardíaca: Indeterminado, mas não há evidências de congestão.

Portanto, não é possível diagnosticar SARA na ausência de infiltrado bilateral radiológico. Esse é ponto crítico.

Análise das alternativas

C) Certo: INCORRETO — O desconforto respiratório com hipoxemia, apesar de alarmante, não configura SARA sem alterações radiológicas compatíveis. Fundamental lembrar: “A presença de infiltrados bilaterais é condição obrigatória para o diagnóstico.” (Diretriz Brasileira de Ventilação Mecânica, AMIB, 2017). A hipoxemia, isoladamente, sugere quadros como sepse, choque séptico ou até embolia pulmonar, mas não SARA.

E) Errado: CORRETO — Justifica-se pela ausência de infiltrado pulmonar no raio-X e pela necessidade do critério clínico-imagem para esse diagnóstico, conforme recomendado tanto pelo Ministério da Saúde quanto por referências internacionais, como UpToDate e Harrison's Principles of Internal Medicine.

Dica de interpretação: Sempre identifique todos os critérios diagnósticos. Pegadinhas frequentes tentam induzir o candidato a diagnosticar SARA apenas por hipoxemia e desconforto respiratório, mas a ausência de alteração radiológica exclui esse diagnóstico.

Resumo: Não existe SARA sem infiltrados bilaterais no raio-X. No caso, a hipótese é sepse grave (talvez evoluindo para choque séptico com disfunção renal e plaquetopenia). Atenção rigorosa aos detalhes!

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Comentários

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A questão é INCORRETA. O paciente, apesar de apresentar desconforto respiratório e hipoxemia (pO2 = 69 mmHg), ele não preenche os critérios necessários para o diagnóstico de Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA). A SARA é caracterizada por insuficiência respiratória de início agudo, com hipoxemia grave (PaO2/FiO2 ≤300 mmHg) e infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, em ausência de insuficiência cardíaca. Nesse caso, a radiografia de tórax do paciente não apresentou nenhuma alteração, o que descarta o diagnóstico de SARA. Além disso, a situação clínica do paciente (dor oral intensa, pressão arterial diminuída, sonolência, taquidispneia, diminuição do débito urinário e piora nos exames de sangue) sugere o desenvolvimento de uma infecção grave, possivelmente sepsis, que é uma resposta sistêmica a uma infecção que pode levar à falência de órgãos.

Errado.

Justificativa: Embora o paciente apresente desconforto respiratório e hipoxemia, o quadro clínico completo e os exames laboratoriais sugerem outro diagnóstico, possivelmente séptico devido à infecção dentária não tratada. A Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) é geralmente associada a fatores desencadeantes como pneumonia, aspiração, trauma ou pancreatite, e se manifesta com infiltrados bilaterais no raio-X de tórax, que não foram observados neste caso.

Neste caso, o paciente apresenta:

  • Taquidispneia (FR = 29 ipm)
  • Hipoxemia (pO2 = 69 mmHg em FiO2 de 35%)
  • Acidose metabólica (pH = 7,30; Bic = 18 mEq)
  • Alterações hemodinâmicas (PA = 95/55 mmHg)
  • Lactato elevado (4,5 mmol/L)
  • Queda nas plaquetas e aumento na creatinina

Esses sinais, associados à infecção oral inicial, são mais indicativos de um quadro séptico, que também pode levar à insuficiência respiratória, mas não necessariamente à SARA.

Pontos chave:

  • A SARA se caracteriza por infiltrados pulmonares bilaterais no raio-X e hipoxemia grave.
  • A ausência de infiltrados no raio-X de tórax sugere outras causas para o desconforto respiratório.
  • O quadro pode estar relacionado a sepse devido à infecção dentária não tratada.

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