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Q3995160 Medicina
    Menina de 9 anos, previamente hígida, evolui com quadro subagudo de alteração comportamental, irritabilidade, déficit de memória recente, episódios de discinesias orofaciais e duas crises epilépticas focais nas últimas 48 horas. Há flutuação do nível de consciência. A ressonância magnética de encéfalo é normal. O líquor mostra pleocitose linfocitária discreta, e o EEG evidencia lentificação difusa.     A equipe considera encefalite autoimune provável, mas discute se é necessário aguardar confirmação laboratorial de autoanticorpos para iniciar o tratamento imunomodulador.     Qual é a conduta correta? Assinalar entre as alternativas abaixo a que melhor responde ao questionamento.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em encefalite autoimune provável, a decisão inicial é clínica e não deve aguardar a confirmação de autoanticorpos; os critérios foram propostos justamente para permitir início precoce do tratamento.

Tema central: Imunoterapia precoce na encefalite autoimune
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque o caso reúne uma síndrome típica de encefalite autoimune provável, com curso subagudo de alteração comportamental, déficit de memória, crises epilépticas, discinesias orofaciais, flutuação da consciência, líquor com pleocitose linfocitária discreta e EEG com lentificação difusa. A RM normal não afasta esse diagnóstico. A base explicita que os critérios clínicos foram estruturados para permitir diagnóstico e tratamento antes do resultado dos autoanticorpos, que podem demorar ou até ser negativos em casos clinicamente prováveis. Portanto, a conduta é não atrasar a imunoterapia quando a suspeita clínica é forte.
B
Errada
Está errada porque transforma a positividade de autoanticorpos em pré-requisito para tratar, e a base afirma o contrário: em encefalite autoimune provável, a decisão inicial é clínica, apoiada por exames convencionais. Exigir confirmação sérica ou no líquor antes da imunoterapia retarda tratamento de doença potencialmente reversível e ignora que pode haver soronegatividade inicial ou mesmo persistente em casos prováveis.
C
Errada
Está errada porque exige alteração de neuroimagem como condição para tratamento, mas a base é explícita em dizer que RM normal não exclui encefalite autoimune. No quadro descrito, líquor discretamente inflamatório e EEG com lentificação difusa já funcionam como achados de suporte, e a ausência de lesão na RM não invalida a suspeita nem impede imunoterapia.
D
Errada
Está errada porque propõe observação prolongada de 30 dias em um quadro encefalítico subagudo com crises, alteração cognitivo-comportamental e flutuação da consciência, apesar de a base afirmar que o atraso terapêutico piora desfechos. O curso flutuante não justifica adiar tratamento; ao contrário, é compatível com a própria síndrome de encefalite autoimune provável.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre diagnóstico etiológico definitivo e momento de iniciar tratamento: o erro é achar que só se pode imunomodular após autoanticorpo positivo ou RM alterada. Nesta síndrome, a decisão inicial é clínica, e RM normal não exclui o diagnóstico.
Dica para questões semelhantes
  • Em encefalite autoimune provável, diferencie confirmação etiológica por autoanticorpo de decisão terapêutica inicial: não são a mesma etapa.
  • RM normal não derruba a hipótese quando o fenótipo clínico é típico e há apoio de líquor e EEG.
  • Alteração comportamental/cognitiva subaguda, crises epilépticas, distúrbio do movimento e flutuação da consciência formam um conjunto sindrômico forte para encefalite autoimune.
  • Tratamento precoce depende de suspeita clínica consistente e investigação paralela de diferenciais, não de esperar semanas por painel laboratorial.

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