A alteração da função renal poderá ser transitória. Para iss...
Uma paciente, previamente hígida, de vinte e sete anos de idade, chegou ao pronto-socorro apresentando dor lombar à direita, febre, náuseas, vômitos e piora do quadro de disúria, polaciúria e hematúria, iniciado três semanas antes desse atendimento e cujos sintomas haviam melhorado parcialmente após o uso de medicação adquirida sem prescrição médica pela paciente. Os exames mostraram os seguintes resultados: PEG, mucosas secas e hipocoradas; edema de MMII (+/+4); perfusão periférica débil; estado febril = 38,5 °C; PA = 80 mmHg × 60 mmHg; pulso = 120 bpm; FR = 28 irpm; peso basal = 60 kg; AR = pulmões limpos, esforço respiratório e uso de musculatura acessória; Sat O2 90% (Venturi 50% 10 L/min.); ACV = BRNF, taquicárdicas, sem sopros; ADig = Giordano positivo à direita, sem visceromegalias; sistema nervoso = pupilas isocóricas e fotorreagentes, obnubilada; escala de coma de Glasgow = 13; diurese = 350 mL/12 h. Exames adicionais: hemograma: Hb = 10; leucograma = 3.500; bastão = 500; plaquetas = 105.000; ureia = 85; creatinina = 1,8; Na = 144; K = 5,1; CR = 102. Gasometria: pH = 7,2; HCO3 = 16; PCO2 = 28; PO2 = 75; lactato = 2,6.
Considerando o caso clínico apresentado, julgue o item que se segue.
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Tema central: A questão aborda o manejo clínico da pielonefrite aguda complicada com disfunção renal transitória em uma jovem previamente saudável. O grande foco recai sobre a necessidade ou não de ajuste de dose antibiótica frente à insuficiência renal.
Justificativa da alternativa correta ("Certo"):
O quadro clínico descrito evidencia infecção urinária alta (dor lombar flanco direito, febre, Giordano positivo), sintomas sistêmicos graves como instabilidade hemodinâmica (PA = 80×60 mmHg, pulso = 120 bpm), repercussão hematológica (leucopenia e plaquetopenia) e alterações renais (ureia e creatinina elevadas, diurese < 0,5 mL/kg/h). Este conjunto caracteriza sepsis secundária a pielonefrite aguda complicada com insuficiência renal aguda provavelmente prerenal ou mista.
O tratamento imediato deve ser: suporte hemodinâmico e antibioticoterapia empírica EV. Segundo o Protocolo Colaborativo de Belo Horizonte (2022), ceftriaxona é uma excelente opção. Conforme a Tabela de Ajuste Farmacológico na Insuficiência Renal (2023):
“Ceftriaxona: sem necessidade de ajuste posológico.”
Ou seja, não há necessidade de ajuste da dose para insuficiência renal para esse fármaco, pois sua eliminação não é predominantemente renal.
Com a reversão do quadro infeccioso, é esperado que a função renal melhore (disfunção transitória) na maioria dos casos, especialmente em jovens sem comorbidades crônicas.
Análise da alternativa incorreta ("Errado"):
Se marcada, indicaria que seria obrigatório ajustar a dose de antibiótico para qualquer grau de disfunção renal. Isso está incorreto para a ceftriaxona e para o contexto apresentado, indo contra protocolos nacionais e literatura de referência, como o livro Harrison’s Principles of Internal Medicine (21ª ed.), que reforça essa conduta.
Estratégia de prova:
Atenção a palavras como “sem ajuste para função renal” e associe o nome do antibiótico às tabelas de ajuste. Pegadinhas comuns incluem exigir ajuste em situações que não o demandam, especialmente com ceftriaxona!
Resumo: O manejo inicial se baseia em antibioticoterapia sem ajuste de dose para ceftriaxona, como indicam os protocolos, visando reversão da disfunção renal transitória.
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