Um paciente com 40 anos de idade procurou uma unidad...
Um paciente com 40 anos de idade procurou uma unidade de saúde, informando apresentar, há 6 meses, dor localizada em região epigástrica, que tem como fator de melhora a ingestão de alimentos e como fator de piora o jejum. Associam-se ao sintoma pirose e empachamento pós-prandial. O exame físico do paciente não apresentou alterações.
Julgue o próximo item, relativo a esse quadro clínico hipotético.
Deve-se solicitar a realização de uma endoscopia digestiva
alta para investigar o sintoma do paciente.
Gabarito comentado
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Gabarito: E (errado) — Afirmar que “deve-se solicitar endoscopia digestiva alta” não é adequado como primeira conduta neste caso.
Tema central: avaliação de dispepsia/ dor epigástrica sem sinais de alarme em paciente < 60 anos. A dor que melhora com alimento sugere úlcera duodenal; pirose e empachamento indicam sobreposição com dispepsia funcional/DRGE. Exame físico normal e ausência de sinais de alarme.
Por que a alternativa E está correta? Diretrizes ACG/CAG para dispepsia e recomendações do UpToDate e Harrison’s orientam que, em < 60 anos sem sinais de alarme, a conduta inicial é estratégia não invasiva: testar e tratar Helicobacter pylori e/ou teste terapêutico com IBP por 4–8 semanas. A endoscopia digestiva alta (EDA) fica reservada para ≥ 60 anos, presença de sinais de alarme (emagrecimento, anemia ferropriva, sangramento, disfagia/odinofagia, vômitos persistentes, massa/linfonodomegalia, história familiar de câncer gástrico) ou falha das medidas iniciais. Assim, não se indica EDA de rotina neste paciente de 40 anos sem alarmes. Referências: ACG/CAG Dyspepsia Guideline (2017; atualizações), UpToDate (Functional dyspepsia: Evaluation and management), Harrison’s.
Conduta recomendada (passo a passo):
1) Pesquisa não invasiva de H. pylori (teste respiratório 13C-uréia ou antígeno fecal).
2) Se positivo, erradicar H. pylori; se negativo ou sintomas persistirem, IBP por 4–8 semanas.
3) EDA apenas se refratário/recorrente após tratamento adequado ou se surgirem sinais de alarme.
4) Revisar uso de AINEs e fatores de risco.
Análise das alternativas:
• C (certo) — Incorreta: supõe que EDA é indicada de pronto. Contraria diretrizes que priorizam abordagem não invasiva em < 60 anos sem alarmes. EDA precoce não melhora desfechos, eleva custo e risco procedural.
• E (errado) — Correta: a afirmação do item é falsa; portanto, marcá-la como “errado” está de acordo com a evidência e as diretrizes.
Pegadinhas de prova: Dor que melhora com alimento sugere úlcera e pode induzir à EDA imediata; porém, sem alarmes e < 60 anos, mantém-se testar/erradicar H. pylori e IBP. A duração de 6 meses por si só não obriga EDA se o paciente estiver estável e sem sinais de alarme.
Fontes: ACG/CAG Dyspepsia Guideline (Am J Gastroenterol), UpToDate – Functional dyspepsia in adults: Evaluation and management, Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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Comentários
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Provável que o gabarito esteja como errado devido a idade do paciente e falta de sinais de alarme.
- Endoscopia digestiva alta:
- Indicações: Pacientes com sinais de alarme (ex.: disfagia, perda de peso, sangramento, vômito, anemia), fatores de risco para esôfago de Barrett, ou suspeita de diagnósticos alternativos, pacientes refratários ou com recorrência de sintomas após 8 semanas de inibidor de bomba de prótons, dor torácica sem pirose descartada dor de origem cardíaca;
- Não é necessária sua realização imediata em pacientes com sintomas clássicos;
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