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Q3917067 Português

Sinais sutis de subdesenvolvimento


    Existem sinais claros para identificar um lugar subdesenvolvido: esgoto a céu aberto, lixo acumulado nas ruas e nas calçadas, subnutrição, gente morrendo de doenças para as quais já existem vacina e remédio, como disenteria e tuberculose. Agora, existem muitos outros sinais de uma cultura subdesenvolvida, primitiva até, sinais sutis de que ainda não nos encontramos num estágio mais avançado e desejado de civilidade e desenvolvimento.

    Viajar para um lugar no exterior indiscutivelmente mais civilizado e desenvolvido e depois voltar ao Brasil e chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos é um choque. Nosso maior e mais movimentado aeroporto já nos recebe no Terminal 3 com um cheiro fétido de esgoto vindo dos banheiros ou sabe-se lá de onde. Carrinhos para colocar a bagagem? “Estamos em falta hoje”, me disse o rapazinho simpático, que com outros dois funcionários conversavam tranquilamente sobre o nada escorados numa parede perto da esteira. Alguém tomar a iniciativa de informar a falta dos carrinhos ou ir buscar? Zero. Proatividade e produtividade nem de longe são pontos fortes aqui.

    Depois, se via lixo espalhado por todo lado: embalagens de biscoito e de chocolate, copinhos e garrafinhas de plástico, papéis, guardanapos no chão, nas poltronas, nas mesinhas perto dos tótens de carregar celular. Pior foi ver a porquice (sim, porquice, coisa de gente porca) no portão de embarque de determinada companhia aérea: restos de adesivos e cartões de embarque jogados no chão e mais papéis, num claro sinal de desleixo da equipe. Por menor que seja o salário de alguém, manter seu local de trabalho limpo e organizado é o mínimo que qualquer profissional deve fazer. Mas o papinho sobre os acontecimentos do final de semana parecia bem animado; e os longos cílios postiços e as unhas compridas e pontudas irretocáveis exibiam um “autocuidado” contrastante com o desleixo ao redor do balcão.

    Eu era do tipo que chamava a atenção de quem jogava lixo na rua. Eu era do tipo que até mesmo juntava o lixo dos outros e colocava na lixeira para manter um lugar limpo. Não faço mais isso. Cansei. Lutar praticamente sozinha por espaços públicos mais civilizados é uma luta cansativa e frustrante, porque outro sinal sutil de subdesenvolvimento é essa coisa de “não dá nada”: as pessoas descumprem as regras mínimas de civilidade — como jogar o lixo na lata de lixo ou não fazer o seu trabalho direito — e nada acontece com elas, nem mesmo uma reprimenda.

    O máximo que posso fazer é manter meu lar, meu quintal, minha calçada, o “meu jardim” o melhor e mais civilizado que posso. Se aqui não dão conta nem dos graves sinais de subdesenvolvimento, como a falta de saneamento básico, o que dirá o resto.


Autora: Candice Soldatelli - GZH (adaptado). 

A palavra “rapazinho”, empregada no texto, resulta de um processo de formação que envolve:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho “Estamos em falta hoje”, me disse o rapazinho simpático, a palavra analisada é “rapazinho”, formada a partir da base “rapaz” com acréscimo do sufixo “-inho”; esse arranjo morfológico caracteriza derivação sufixal diminutiva, o que confirma o item A.

Tema central: formação de palavras
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica o mecanismo formal presente em “rapazinho”: há uma palavra-base, “rapaz”, e um elemento final acrescentado, “-inho”. Como o acréscimo ocorre no fim da base, o processo é de derivação sufixal. O valor diminutivo/apreciativo de “-inho” confirma a natureza do sufixo, mas o ponto decisivo é a estrutura formal da palavra.
B
Errada
Está errada porque fala em derivação prefixal, mas “rapazinho” não recebe elemento no início da palavra. O acréscimo ocorre no final, com “-inho”. A nuance apreciativa pode existir, mas isso não transforma o processo em prefixação.
C
Errada
Está errada porque não há composição por justaposição. Em “rapazinho”, não aparecem duas palavras ou dois radicais autônomos lado a lado. O segmento “-inho” não é palavra independente; é sufixo.
D
Errada
Está errada porque derivação regressiva envolve supressão de segmento da palavra-base. Aqui ocorre o contrário: a base “rapaz” recebe acréscimo de “-inho”. Portanto, há expansão da forma, não redução.
E
Errada
Está errada porque parassíntese exige acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo. Em “rapazinho”, há apenas sufixação. Como não existe prefixo na formação, a classificação por parassíntese é excluída.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre valor semântico e processo formal: o aluno pode notar a nuance apreciativa de “-inho” e se distrair com outras classificações, quando o critério decisivo é estrutural — acréscimo de sufixo ao final da base.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique a palavra-base; aqui, a base é “rapaz”.
  • Observe onde o elemento foi acrescentado: no início indica prefixação; no final, sufixação.
  • Não confunda efeito de sentido do diminutivo com o processo de formação da palavra.
  • Exclua composição, regressão e parassíntese verificando se há, respectivamente, duas bases autônomas, redução da forma ou prefixo e sufixo simultâneos.

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