Sobre o histórico do ensino de Arte no Brasil, desde as prim...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4151075 Pedagogia
Sobre o histórico do ensino de Arte no Brasil, desde as primeiras décadas do século XX até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (Lei nº 9.394/96), analise as seguintes afirmativas:
I - A abordagem tradicional do ensino de Arte, vigente na primeira metade do século XX, priorizava o domínio técnico e a reprodução de modelos, sendo o Desenho valorizado por seu aspecto funcional e utilitário, enquanto teatro e dança restringiam-se a festividades escolares.
II - O movimento escolanovista, inspirado na estética modernista e nas teorias de desenvolvimento natural da criança, deslocou o foco do ensino de Arte do professor para o aluno, valorizando a espontaneidade, a autoexpressão e os processos criativos, em oposição à rigidez reprodutivista da escola tradicional.
III - A Lei de Diretrizes e Bases de 1971 (Lei nº 5.692/71) representou um avanço qualitativo para o ensino de Arte ao consolidar a formação especializada do professor por linguagem artística (artes plásticas, música, teatro e dança), garantindo carga horária específica e referenciais teóricos unificados em todo o território nacional.
IV - A LDB 9.394/96 superou a designação "Educação Artística", instituiu a Arte como componente curricular obrigatório na educação básica e abriu caminho para propostas pedagógicas que integram o fazer artístico, a apreciação estética e a contextualização histórica da arte.
V - O movimento Arte-Educação, que ganhou força a partir dos anos 1980, restringiu-se ao âmbito da educação informal (museus, ateliês e centros culturais), não tendo influenciado a formação de professores nem as políticas curriculares da educação básica brasileira.
São CORRETAS:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo era separar as afirmativas historicamente compatíveis das incompatíveis: III erra ao atribuir à Lei 5.692/71 especialização por linguagem artística, carga horária específica e unificação teórica, e V erra ao negar a influência do movimento Arte-Educação na formação docente e no currículo da educação básica. Com III e V falsas, restam I, II e IV, o que conduz à alternativa E.

Tema central: Ensino de Arte
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque considera corretas as afirmativas III e V. A III é incompatível com a história posterior à Lei 5.692/71, marcada pela Educação Artística e pela formação polivalente, não pela especialização docente por linguagem artística com carga horária específica e referenciais teóricos unificados. A V também é falsa, porque o movimento Arte-Educação alcançou a formação de professores e os debates curriculares da educação básica.
B
Errada
Está errada por dois motivos concretos: exclui a afirmativa I, que corresponde ao ensino tradicional de Arte com ênfase técnica e reprodutivista, e inclui a afirmativa V, que é incompatível com a influência histórica do movimento Arte-Educação sobre formação docente e currículo escolar.
C
Errada
Está errada porque trata III e V como corretas, mas as duas contrariam a caracterização histórica consolidada. A III falseia os efeitos da Lei 5.692/71 ao falar em especialização por linguagem e padronização qualitativa; a V erra ao restringir o movimento Arte-Educação ao campo informal.
D
Errada
Está errada porque inclui a afirmativa III e deixa de fora a IV. O problema está na inversão do critério histórico: a III não se sustenta diante da polivalência associada à Educação Artística após a Lei 5.692/71, enquanto a IV se sustenta porque a LDB 9.394/96 torna a Arte componente curricular obrigatório da educação básica.
E
Certa
A alternativa E está certa porque reúne exatamente as afirmativas historicamente sustentáveis. A I corresponde ao padrão tradicional da primeira metade do século XX, com ênfase técnica, reprodução de modelos e valorização funcional do desenho, enquanto teatro e dança apareciam de modo secundário em festividades escolares. A II está de acordo com o escolanovismo, que desloca o centro do ensino para o aluno e valoriza espontaneidade, autoexpressão e processo criativo. A IV também se sustenta porque a LDB 9.394/96 firma a Arte como componente curricular obrigatório da educação básica e é tratada historicamente como marco de superação da designação anterior. A formulação detalhada de produção, apreciação e contextualização é posterior e não deve ser atribuída à lei de modo literal.
Pegadinha da questão
A confusão central era tomar a Lei 5.692/71 como se tivesse consolidado especialização docente por linguagem artística e avanço qualitativo homogêneo, quando a marca histórica desse período foi a polivalência em Educação Artística; a outra armadilha era restringir o movimento Arte-Educação à educação não formal.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões históricas sobre ensino de Arte, se aparecer Lei 5.692/71 associada a especialização por linguagem, unificação teórica nacional ou carga horária específica garantida, a tendência é estar errado; o marco desse período é a polivalência em Educação Artística.
  • Quando a descrição falar em técnica, cópia e utilidade do desenho, isso aponta para a abordagem tradicional; quando falar em espontaneidade, autoexpressão e centralidade do aluno, isso aponta para o escolanovismo.
  • Na LDB 9.394/96, o ponto seguro é a obrigatoriedade da Arte como componente curricular na educação básica; não se deve exigir da letra da lei toda a formulação metodológica detalhada que foi consolidada depois.
  • Se a alternativa restringir o movimento Arte-Educação ao espaço informal e negar efeitos na escola básica, o critério histórico manda rejeitar essa leitura.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo