Um paciente vítima de acidente automobilístico cheg...

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Q1069734 Medicina
Um paciente vítima de acidente automobilístico chegou ao pronto‐socorro com pulso de 96 bpm e pressão arterial de 110 x 70 mmHg. Tinha escoriações em hemitórax direito e hemiabdome direito. Realizou FAST que veio positivo, seguido de tomografia de abdome, que mostrou trauma hepático grau III, sem blush.
Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para o paciente.
Alternativas

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O tema central da questão é o manejo de um paciente com trauma hepático grau III, identificado por meio de exames de imagem após um acidente automobilístico.

Para entender a melhor conduta, é importante compreender o que significa um trauma hepático grau III. De acordo com a classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST), esse tipo de trauma envolve lacerações de 2-3 cm de profundidade e pode haver hemorragia, mas sem envolvimento vascular importante o suficiente para causar blush (extravasamento contrastado visível na tomografia).

Justificativa para a alternativa correta (C): Controle hemodinâmico e de hematócrito

A alternativa correta é C - controle hemodinâmico e de hematócrito. Em casos de trauma hepático grau III em pacientes hemodinamicamente estáveis, é recomendado o manejo não-operatório. Este consiste em monitorização clínica rigorosa e suporte hemodinâmico, observando variáveis como frequência cardíaca, pressão arterial e nível de hematócrito. A abordagem visa permitir a recuperação natural do fígado enquanto se previne complicações. Diretrizes atuais de manejo de traumas abdominais, como as da Eastern Association for the Surgery of Trauma (EAST), sustentam essa abordagem em casos estáveis.

Análise das alternativas incorretas:

  • A - Laparotomia exploradora com sutura hepática: Essa abordagem é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica ou sangramento ativo significativo, o que não é o caso do paciente apresentado.
  • B - Arteriografia com embolização hepática: Esta técnica é usada para controlar sangramentos arteriais seletivos, indicada em casos de trauma com blush ou hemorragia persistente. Não é indicada aqui, pois o paciente não apresenta blush.
  • D - Insuflação de balão trans-hepático pela lesão: Este método não é uma prática comum e não está estabelecido nas diretrizes para tratamento de traumas hepáticos.
  • E - Realização de colangiopancreatografia endoscópica para determinar se há lesão biliar: Esta investigação seria desnecessária inicialmente, já que não há indicação de lesão do ducto biliar proximal pelo quadro apresentado.

A questão destaca a importância de reconhecer as condições em que um manejo conservador é não apenas possível, mas preferível, evitando intervenções invasivas desnecessárias.

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Comentários

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Nesse caso hipotético, a melhor conduta para o paciente é o controle hemodinâmico e de hematócrito, ou seja, estabilizar a pressão arterial e a frequência cardíaca do paciente, além de monitorar a quantidade de células vermelhas no sangue. Isso é necessário porque o paciente apresentou trauma hepático grau III, o que representa uma lesão considerável no fígado e pode levar a complicações sérias, como hemorragias. A laparotomia exploradora com sutura hepática e a insuflação de balão trans-hepático são procedimentos invasivos que podem aumentar o risco de complicações. A arteriografia com embolização hepática é uma opção menos invasiva, mas pode ser necessária apenas em casos de hemorragia ativa. A realização de colangiopancreatografia endoscópica não é indicada nesse caso, já que não há suspeita de lesão biliar.

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