Uma paciente de 43 anos de idade queixa‐se de dor em hi...

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Q1069728 Medicina
Uma paciente de 43 anos de idade queixa‐se de dor em hipocôndrio direito há dois anos, com várias crises de cólica nesse período. Há três meses, passou a ter icterícia e acolia. Ao exame, encontrava‐se ictérica +/4+, com abdome plano, flácido, pouco doloroso em hipocôndrio direito. Realizou ultrassonografia de abdome que mostrou presença de cálculo de 2,8 cm na vesícula biliar, de tamanho reduzido, paredes com espessura normal, dilatação de vias biliares intra‐hepáticas e colédoco com calibre normal.
Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para a paciente.
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Tema central: Esta questão aborda o manejo cirúrgico de paciente com colelitíase sintomática e complicação obstrutiva. A paciente apresenta sintomas biliares típicos (dor em hipocôndrio direito, icterícia, acolia) e achados ultrassonográficos indicativos de cálculo vesicular e dilatação de vias biliares intra-hepáticas, sem dilatação do colédoco.

Interpretação do caso clínico: A dor recorrente no hipocôndrio direito, icterícia progressiva e acolia são manifestações clássicas de obstrução ao fluxo biliar. A ultrassonografia evidencia cálculo de tamanho significativo (2,8 cm) na vesícula, vias biliares intra-hepáticas dilatadas (sinalizando obstrução proximal) e colédoco de calibre preservado.

Alternativa correta – A) Colecistectomia aberta com possível derivação biliodigestiva:
Esta conduta é preferida em situações complexas, como a descrita, pois uma abordagem aberta oferece melhor acesso ao trato biliar e possibilita realizar derivações biliodigestivas, necessárias em casos de obstrução mais proximal. Segundo o Protocolo Clínico e de Regulação para Icterícia no Adulto e no Idoso, paciente ictérico sem febre pode apresentar obstrução biliar de mecanismo não infeccioso, principalmente quando há dilatação intra-hepática e cálculo volumoso (Cenário IV).

Análise das alternativas incorretas:

B) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE): Indicada para coledocolitíase (cálculo no colédoco). Como o colédoco está com calibre normal, a presença de cálculo ali é improvável. Não está indicada.

C) Colecistostomia: Procedimento reservado para pacientes de alto risco cirúrgico (muito graves ou instáveis), o que não é o caso.

D) Uso de ácido ursodeoxicólico: Não indicado em situações sintomáticas, nem quando há complicação biliar, além de ser pouco eficaz para cálculos de maior tamanho.

E) Colecistectomia videolaparoscópica: Embora seja o padrão-ouro para colelitíase, em casos complexos ou com suspeita de complicação biliar, a abordagem aberta é preferível para controle completo do trato biliar.

Resumo da conduta: O tratamento definitivo e seguro frente ao risco de obstrução biliar alta é a cirurgia aberta, possibilitando a realização de procedimentos adicionais se necessário, conforme indicam as diretrizes do Ministério da Saúde e literatura como Sabiston – Tratado de Cirurgia.

Estratégia para provas: Atenção para sinais de alarme (icterícia, acolia, dilatação intra-hepática) e associações anatômicas para indicar a abordagem cirúrgica apropriada frente ao quadro clínico e possibilidade de complicação.

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Comentários

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A resposta correta é a alternativa A - colecistectomia aberta com possível derivação biliodigestiva. Esse é o tratamento indicado para casos de colelitíase sintomática, como no caso da paciente descrita, que apresenta cálculo de tamanho considerável e sintomas como dor e icterícia. A colecistectomia é a remoção cirúrgica da vesícula biliar e é considerada o tratamento padrão para a colelitíase. A derivação biliodigestiva pode ser necessária em casos em que há obstrução das vias biliares, como parece ser o caso dessa paciente, que apresenta dilatação das vias biliares intra-hepáticas e colédoco com calibre normal. A alternativa B, colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, é um procedimento diagnóstico e terapêutico que pode ser realizado em casos de obstrução das vias biliares, mas não é o tratamento de escolha para colelitíase. As alternativas C e D não são indicadas para esse caso e a alternativa E, colecistectomia videolaparoscópica, pode não ser a melhor opção em casos em que há complicações, como a obstrução das vias biliares.

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