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Q1069727 Medicina
Um paciente de 28 anos de idade chegou ao pronto‐socorro com ferimento por arma branca 3 cm acima do terço médio da clavícula direita e que passou pelo platisma. Encontra‐se estável hemodinamicamente, com ausculta cardíaca e respiratória sem alterações.
Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para o paciente.
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda a avaliação e manejo inicial de ferimentos penetrantes no pescoço, mais especificamente na Zona II, em paciente hemodinamicamente estável. Entender a anatomia cervical, a divisão das zonas e as indicações dos exames de imagem é fundamental para a abordagem cirúrgica correta.

Justificativa da alternativa correta (A): O ferimento ultrapassou o platisma e localiza-se na Zona II (área entre cartilagem cricoide e ângulo da mandíbula), região rica em estruturas vasculares e aerodigestivas. Atualmente, pacientes estáveis e sem sinais de lesão vascular ou aerodigestiva (hard signs) devem, segundo as principais diretrizes cirúrgicas (UpToDate, ATLS, Sabiston), ser submetidos a uma avaliação por angiotomografia de tórax e pescoço. Esse exame é rápido, amplamente disponível, de alta sensibilidade e especificidade para detecção de lesões traqueais, esofágicas e vasculares, direcionando a conduta (Sabiston, 21ª ed., cap. 15). Assim, A) é a alternativa correta.

Análise das alternativas incorretas:

B) Radiografia de tórax: É útil para traumas torácicos, mas não identifica lesões de partes moles ou vasculares no pescoço. Serve como triagem, mas jamais é suficiente para descartar lesão cervical em trauma penetrante.

C) Ressonância magnética de pescoço: É impraticável na urgência pelo tempo prolongado e limitações técnicas, além de fornecer menos informações que a angiotomografia para trauma.

D) Cervicotomia anterolateral direita: Só está indicada na presença de sinais clínicos claros de lesão vascular/aerodigestiva grave (instabilidade, sangramento ativo, enfisema subcutâneo progressivo, hematoma expansivo), o que não ocorre neste caso.

E) Exploração digital do ferimento: Não recomendada — pode introduzir infecção ou piorar lesões não identificadas. Avaliação invasiva sem suporte diagnóstico é conduta ultrapassada (ATLS, 10ª edição).

Dica de prova: Fique atento: ferimentos que atravessam o platisma em paciente estável requerem imagens detalhadas antes de qualquer abordagem cirúrgica invasiva. Evite a pressa em indicar cirurgia aberta ou condutas manuais sem diagnóstico claro!

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A conduta mais adequada para o paciente descrito na situação hipotética é a alternativa A - angiotomografia de tórax e pescoço. Isso porque, embora o paciente esteja estável hemodinamicamente e sem alterações na ausculta cardíaca e respiratória, o ferimento por arma branca pode ter causado lesões em órgãos internos ou vasos sanguíneos importantes, como artérias e veias do pescoço, o que pode levar a complicações graves e até mesmo à morte. A angiotomografia é um exame que pode identificar essas lesões de forma rápida e precisa, permitindo uma intervenção imediata caso seja necessário. As demais alternativas não são indicadas nesse caso, pois não fornecem informações suficientes para o diagnóstico e tratamento adequados.

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