De qualquer modo, esse brinquedo não me levou, na idade adul...

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Q39998 Português
O pequeno engenheiro

Ou muito me engano, ou era esse mesmo o nome de um brinquedo do meu tempo de criança. Terá conseguido sobreviver à onda das engenhocas eletrônicas de hoje? Lembrome bem dele: uma caixa de madeira, bonita, com tampa de encaixe corrediça; dentro, um grande número de pecinhas também de madeira, coloridas, de diferentes formas e dimensões. Em algumas delas estavam desenhados um relógio, uma janela, tijolinhos... O conjunto possibilitava (e mesmo inspirava) diversos tipos de edificação: castelos, torres, pontes, edifícios, estações etc.
Não se tratava exatamente de uma prova de habilidade motora: não era grande a dificuldade de erguer um pequeno muro ou de dar sustentação a uma torre. Tratava-se, antes, de usar a imaginação, construir e preencher espaços, compor cenários, como quem arma a ambientação de um palco onde se desenvolverá uma história. Havia, implícita, a par da necessidade de tudo ter que parar em pé, a preocupação estética: insistir no critério da simetria ou permitir variações de padrão? Fantasiar formas ou ater-se à imitação das já bastante conhecidas? Não exagero ao dizer que tudo isso fazia de cada um de nós, para além de um pequeno engenheiro, um pequeno arquiteto, um escultor mirim, um precoce cenógrafo, um artista plástico pesquisando linguagem...
De qualquer modo, esse brinquedo não me levou, na idade adulta, à engenharia, nem ao ramo de construções, nem me fez artista plástico. Ficou na memória, perdido entre outros brinquedos que dispensavam baterias, tomadas elétricas, manuais de instrução e termo de garantia. Sem dúvida havia algum encanto no trenzinho elétrico, que corria obediente pelos trilhos. A meninada ficava olhando, olhando, a princípio interessada, mas logo alguém perguntava: ? Vamos brincar? Ser espectador era pouco: o corpo precisava entrar no jogo. Nem que fosse para habitar, imaginariamente, a torre de um castelo colorido, erguido há pouco com as mãos de um pequeno engenheiro que se entretinha facilmente com suas peças de madeira.


(Oduvaldo Monteiro, inédito)
De qualquer modo, esse brinquedo não me levou, na idade adulta, à engenharia, nem ao ramo de construções, nem me fez artista plástico.

Não haverá prejuízo para a correção e o sentido da frase acima caso se substituam os elementos sublinhados, respectivamente, por:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A frase original apresenta uma enumeração negativa sob o mesmo escopo de negação: "De qualquer modo, esse brinquedo não me levou, na idade adulta, à engenharia, nem ao ramo de construções, nem me fez artista plástico." O critério decisivo é manter essa coordenação aditiva negativa com paralelismo sintático e continuidade da negação; por isso, a substituição correta é a que preserva "tampouco ao ramo" e "como também não me fez".

Tema central: coordenação aditiva negativa
Análise das alternativas
A
Errada
"mesmo ao ramo" não reproduz o valor de adição negativa de "nem ao ramo", porque introduz marca enfática/inclusiva. Além disso, "ou me fez" troca a coordenação aditiva negativa por disjunção e ainda elimina a negação do terceiro segmento. Com isso, a enumeração negativa original é desfeita.
B
Certa
A alternativa B é a única que conserva a lógica da frase original: três consequências negadas atribuídas ao brinquedo. "Tampouco ao ramo" equivale, no contexto, a "nem ao ramo", e "como também não me fez" mantém o terceiro membro como novo acréscimo negativo. Assim, a reescrita preserva a correção e o sentido global do período, sem introduzir oposição, alternativa, concessão ou ressalva.
C
Errada
"inclusive o ramo" não mantém a retomada da negação presente em "nem ao ramo" e altera o encaixe sintático da sequência. Já "ou mesmo me fez" introduz valor disjuntivo e suprime a continuidade negativa do último membro. A relação lógica do período deixa de ser soma de negações.
D
Errada
"sequer ao ramo" pode sugerir intensificação da negação, mas o segundo substituto inviabiliza a alternativa: "não obstante me fez" introduz relação concessiva/adversativa e passa a afirmar o terceiro membro, quando o original o nega. Há, portanto, mudança de sentido no ponto central da enumeração.
E
Errada
"quando não ao ramo" não expressa simples adição negativa; traz valor de ressalva, limite ou reformulação escalar, incompatível com o encadeamento original. "sendo que não me fez" também quebra o paralelismo coordenativo, porque introduz relação explicativa/informativa, e não novo item da enumeração negativa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre qualquer expressão com aparência de negação ou ênfase e um verdadeiro equivalente de "nem". O erro mais comum é aceitar conectores como "ou", "não obstante", "quando não" ou expressões inclusivas como se fossem mera variação estilística, sem perceber que eles mudam a relação lógica da frase.
Dica para questões semelhantes
  • Em reescrita, verifique se o conector substituto mantém exatamente a mesma relação lógica entre os segmentos, e não apenas um sentido vagamente próximo.
  • Se a frase traz enumeração negativa iniciada por "não", os termos seguintes precisam continuar sob esse mesmo escopo de negação.
  • Confira os dois planos ao mesmo tempo: sentido e estrutura; uma opção pode até parecer negativa, mas quebrar o paralelismo sintático.
  • Desconfie de conectores de disjunção, concessão, ressalva ou inclusão quando o original apenas soma itens negados.

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Comentários

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b) CORRETA - tampouco ao ramo - como também não me fez."tampouco" (= Nem, não, nem muito menos)"... não me levou, na idade adulta, à engenharia, NEM ao ramo de construções, ..."d) ERRADA - sequer ao ramo - não obstante me fez."não obstante" quer dizer "apesar disso", substituindo-se na frase:"nem me fez artista plástico" por "apesar disso me fez artista plástico" ERRADO
Trata-se de conjunções coordenadas aditivas

b-

para preservar a ideia de adição, é necessário manter a ideia de exclusao para os 2 sintagmas. Logo, usam-se "tampouco" e "como também não"

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