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Q4036510 Pedagogia

Durante uma reunião de equipe multidisciplinar em uma escola, discute-se o caso do aluno Pedro, 5º ano, com queixas de "não aprender matemática". O psicopedagogo, fundamentado nos princípios da etiologia multifatorial dos problemas de aprendizagem e na abordagem biopsicossocial, propõe uma investigação sistemática antes de qualquer intervenção. Ao final, o psicopedagogo registra os seguintes dados:



DADOS DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA − ALUNO PEDRO, 5º ANO EF



Área de Investigação: Queixa Principal


Observações Coletadas: "Não aprende matemática" − relato da professora e família.



Área de Investigação: Histórico Escolar


Observações Coletadas: Reprovação no 4º ano por matemática. Português e demais disciplinas com desempenho adequado. Relatórios anteriores apontam "falta de atenção em matemática".



Área de Investigação: Produções do Aluno


Observações Coletadas: Cadernos organizados em português, desorganizados em matemática. Exercícios incompletos. Provas com respostas em branco ou respostas aleatórias.



Área de Investigação: Entrevista com Aluno (EOCA)


Observações Coletadas: Relata: "matemática é chata", "nunca vou aprender", "meu pai também não sabia". Demonstra ansiedade ao manipular material matemático. Resolve situações-problema do cotidiano (troco, receitas) adequadamente.



Área de Investigação: Aspectos Emocionais


Observações Coletadas: Baixa autoeficácia em matemática. Ansiedade antecipatória nas aulas. Relata que "trava" durante provas. Boa autoestima geral.



Área de Investigação: Contexto Familiar


Observações Coletadas: Pai verbaliza: "nunca fui bom em matemática, é genético". Mãe pressiona por notas altas. Conflitos familiares sobre desempenho escolar. Não há rotina de estudos em casa.



Área de Investigação: Práticas Pedagógicas


Observações Coletadas: Professora utiliza metodologia tradicional (quadro e exercícios). Pouco uso de material concreto. Ritmo acelerado. Não oferece estratégias diferenciadas. Relação professor-aluno distante.



Área de Investigação: Observação em Sala


Observações Coletadas: Pedro se dispersa durante explicações. Copia mecanicamente do quadro. Não pede ajuda. Isola-se durante atividades em grupo de matemática. Participa ativamente em outras disciplinas.



Área de Investigação: Avaliações Prévias


Observações Coletadas: Triagem visual/auditiva: normal. Avaliação neurológica: sem alterações. QI: dentro da média (WISC-V). Funções executivas preservadas.



Considerando as competências do psicopedagogo e os aspectos afetivos, cognitivos e sociais envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, a sequência de ações demonstra uma prática psicopedagógica adequada seria:



I. Aplicar testes padronizados de inteligência como instrumento diagnóstico.


II. Investigar as práticas pedagógicas do professor, incluindo estratégias de ensino, sistemas motivacionais e relação professor-aluno.


III. Analisar o histórico escolar, produções do aluno e realizar entrevista operativa centrada na aprendizagem (EOCA).


IV. Avaliar aspectos emocionais, vínculos familiares e significações sociais atribuídas à matemática.


V. Observar o cotidiano da sala de aula, considerando o universo afetivo e sociocultural da criança.


VI. Encaminhar imediatamente para neurologista sem investigação psicopedagógica prévia.



Estão CORRETAS:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A decisão dependia de reconhecer quais itens são compatíveis com a avaliação psicopedagógica descrita no enunciado: II, III, IV e V. O item I não se sustenta como instrumento diagnóstico central, e o item VI contraria a necessidade de investigação prévia.

Tema central: avaliação psicopedagógica multifatorial
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui o item I, que não se sustenta como conduta adequada central no caso, e deixa de fora os itens IV e V, que são necessários dentro da abordagem multifatorial. A prática adequada não pode reduzir a investigação a teste de inteligência nem dispensar avaliação emocional/familiar e observação em sala.
B
Errada
Está errada porque reúne justamente dois itens inadequados. O item I reduz a investigação ao teste padronizado de inteligência como instrumento diagnóstico, e o item VI contradiz o enunciado ao prever encaminhamento imediato ao neurologista sem investigação psicopedagógica prévia.
C
Certa
A alternativa C está certa porque reúne as condutas compatíveis com a prática psicopedagógica no caso: investigar práticas pedagógicas do professor, analisar histórico escolar e produções do aluno com EOCA, avaliar aspectos emocionais e vínculos familiares, e observar o cotidiano da sala de aula. Esses procedimentos correspondem à investigação ampla do processo de aprendizagem e de seus condicionantes.
D
Errada
Está errada porque, embora III e IV sejam adequados, a alternativa omite II e V. No caso, a investigação psicopedagógica necessária também exige examinar práticas pedagógicas e observar o cotidiano da sala de aula, não apenas focar histórico, produções, EOCA e aspectos emocionais/familiares.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tratar teste de inteligência como sinônimo de diagnóstico psicopedagógico e supor encaminhamento neurológico imediato diante de dificuldade específica em matemática, apesar de o enunciado já apontar investigação multifatorial e preservação cognitiva global.
Dica para questões semelhantes
  • Se o caso é apresentado sob enfoque biopsicossocial, a conduta correta deve incluir escola, família, afetos e contexto de sala.
  • Dificuldade específica de aprendizagem não autoriza, por si só, concluir causa neurológica nem encaminhamento imediato sem investigação psicopedagógica prévia.
  • Teste de inteligência não substitui análise de histórico escolar, produções, EOCA e observação do cotidiano de aprendizagem.

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