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Q4321755 Português
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A nova era nuclear Os EUA reativaram seu maior bunker – e estão desenvolvendo a primeira ogiva nuclear desde os anos 1980. A China pretende triplicar seu arsenal. E os russos apresentam novas armas: o míssil manobrável e um torpedo capaz de provocar tsunamis.

Texto: Bruno Garattoni e Tiago Cordeiro


    Se você entrar na floresta de Bardufoss, na Noruega, encontrará algo bem estranho: uma rede de 960 canos finos e rentes ao chão, que correm por entre as árvores numa área de 1,5 km² e parecem grandes teias de aranha. Eles formam uma rede de medição infrassônica, que detecta sons de frequência inferior a 20 hertz – inaudíveis ao ouvido humano. No dia 8 de agosto de 2019, às 9h da manhã no horário local, o sistema registrou uma onda de choque atípica. Exatamente ao mesmo tempo, a estação meteorológica de Severodinsk, na Rússia, detectou níveis de radioatividade 16 vezes acima do normal. Os dois eventos, como viria a ser revelado depois, tinham a mesma causa: a explosão de um míssil 9M730 Burevestnik, que os russos estavam testando numa base militar em Nyonoska, no noroeste do país. Cinco pessoas morreram, três ficaram feridas e a população da cidade correu para comprar iodo (que, tomado de forma preventiva, evita o envenenamento radioativo da tireoide). É que o Burevestnik não era um míssil qualquer. Além de carregar ogivas nucleares, ele possui o próprio reator nuclear, que gera energia para mantê-lo no ar.

    Os níveis de radiação voltaram ao normal em algumas horas (o reator do míssil é pequeno, com muito menos combustível nuclear do que uma usina), mas o cenário geopolítico não. O mundo constatou que os russos estavam testando um novo tipo de arma: capaz de ficar no ar por anos, driblar todos os sistemas antimísseis – e atacar de surpresa qualquer ponto do planeta. 

    No dia 25 de março deste ano, duas semanas depois que a OMS classificou a onda de coronavírus como pandemia, os militares americanos fizeram uma manobra profunda. Literalmente: anunciaram que os oficiais da Norad e da Northcom, as divisões que controlam seu arsenal nuclear, iriam se mudar para o Cheyenne Mountain Complex: o maior bunker militar do mundo, escavado sob 610 metros de rocha dentro da montanha Cheyenne, no Colorado. Ele foi construído nos anos 1960, é formado por 15 prédios subterrâneos de três andares, com capacidade para abrigar 2 mil pessoas por até dois anos, e foi projetado para suportar uma explosão nuclear de até 30 megatons (2 mil vezes a potência da bomba de Hiroshima). Foi sendo desocupado após o fim da Guerra Fria e estava praticamente abandonado, com 70% de capacidade ociosa. Não mais. Os americanos também anunciaram que, pela primeira vez desde os anos 1980, vão desenvolver uma nova ogiva: a W93. Praticamente todos os detalhes a respeito são confidenciais – exceto que ela fará parte de um programa de US$ 1 trilhão para renovar o arsenal nuclear dos EUA.

    [...]


Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-nova-era-nuclear/
Assinale a alternativa que apresenta a explicação para o uso de advérbios de lugar no texto.
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é interpretar as expressões locativas em relação ao assunto desenvolvido. Em “a estação meteorológica de Severodinsk, na Rússia, detectou níveis de radioatividade 16 vezes acima do normal.”, “na Rússia” situa geograficamente a detecção relacionada ao teste narrado. Essa função contextualizadora favorece a alternativa que explica o uso das localizações no texto.

Tema central: Função textual das localizações
Análise das alternativas
A
Errada
Confunde locais dos acontecimentos com possíveis locais de emprego das armas. Nyonoska é apresentada como local de teste, e o Colorado, como localização de uma instalação militar; essas referências não são exemplos de alvos de ataque ou de lugares onde armas nucleares seriam usadas defensivamente.
B
Errada
Atribui às localizações a função de apresentar um cronograma de fabricação. As referências espaciais situam acontecimentos e instalações, mas não estabelecem quando e onde começarão etapas de produção. A presença de datas e de anúncios de desenvolvimento não autoriza essa conclusão.
C
Certa
A alternativa C está correta porque as localizações dos testes e das instalações, articuladas às referências aos russos e aos americanos, destacam a participação desses países na atividade nuclear militar. Essa função acompanha o tema anunciado na apresentação: ampliação ou renovação dos arsenais de diferentes países. Trata-se de uma leitura global, não da afirmação de que todo lugar mencionado desenvolve armas: a Noruega aparece como localização de uma rede de detecção.
D
Errada
Confunde a descrição de uma instalação existente com instruções de construção futura. O trecho “Ele foi construído nos anos 1960” mostra que o bunker já existia. As informações sobre sua localização, estrutura e capacidade não explicam como serão montados bunkers americanos.
E
Errada
Transforma o relato de riscos nucleares em uma recomendação ao leitor. Embora apresente a explosão e suas consequências, o texto não aconselha evitar viagens ou moradia nos países citados; as localizações contextualizam os fatos narrados.
Pegadinha da questão
Confundir a localização de testes e instalações militares com a indicação de possíveis alvos de ataque. O lugar em que um fato ocorre não é, por isso, apresentado como local de emprego das armas.
Dica para questões semelhantes
  • Relacione as expressões de lugar ao tema e aos agentes dos acontecimentos, em vez de considerar apenas os nomes geográficos isolados.
  • Distinga a localização de fatos e instalações da indicação de alvos, de etapas de fabricação ou de recomendações ao leitor.
  • Quando o comando perguntar a finalidade das indicações espaciais, examine sua contribuição para o texto; aqui, a expressão “advérbios de lugar” abrange também expressões preposicionadas com valor locativo.
  • Verifique o papel de cada país antes de generalizar: um local de detecção, como a Noruega no texto, não é necessariamente um país desenvolvedor de armas.

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