Assinale a opção que define melhor a tríade de Cushing enco...

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Q3221977 Medicina
Assinale a opção que define melhor a tríade de Cushing encontrada na hipertensão intracraniana.
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Gabarito: B — Hipertensão, bradicardia e arritmia respiratória.

Tema central: A tríade de Cushing é um conjunto de sinais clássicos de hipertensão intracraniana (HIC), indicando compressão do tronco encefálico e resposta autonômica à isquemia cerebral.

Fisiopatologia resumida: O aumento agudo da PIC reduz a perfusão cerebral, gerando isquemia do bulbo. Isso desencadeia descarga simpática com hipertensão arterial (muitas vezes com pressão de pulso alargada). O barorreflexo responde com bradicardia. A disfunção do tronco causa irregularidade respiratória (padrões como Cheyne–Stokes, Biot), completando a tríade. É um sinal tardio de HIC, não devendo ser aguardado para intervir.

Por que a alternativa B é correta? Ela reúne exatamente os três componentes clássicos: hipertensão, bradicardia e arritmia/irregularidade respiratória, conforme descrito em Harrison’s e UpToDate, além de reconhecido pelas diretrizes da Brain Trauma Foundation como manifestação tardia de HIC.

Análise das alternativas incorretas:

A — Hipertensão, bradicardia e midríase. A midríase (especialmente unilateral, arreativa) sugere compressão do III par (herniação uncal), mas não integra a tríade de Cushing. Pode coexistir em HIC grave, porém não é componente clássico.

C — Hipotensão, taquicardia e arritmia respiratória. Hipotensão com taquicardia é mais típico de choque. Vai no sentido oposto da resposta simpática hipertensiva da tríade. Apesar de poder haver irregularidade respiratória em lesão de tronco, a combinação hemodinâmica está incorreta.

D — Hipertensão, taquicardia e turgência jugular patológica. A tríade inclui bradicardia, não taquicardia. Turgência jugular não é critério da tríade e pode refletir outras causas (ex.: congestão venosa), não sendo marcador específico de HIC.

Como reconhecer clinicamente a HIC (estratégia de prova): procure por cefaleia, vômitos em jato, rebaixamento do nível de consciência, papiledema (em apresentações subagudas) e sinais de herniação (anisocoria, posturas de descerebração). A tríade de Cushing, quando presente, sugere HIC avançada. Exames: TC de crânio com desvio de linha média, apagamento de sulcos, compressão ventricular. Monitorização de PIC pode ser indicada em TCE grave.

Pegadinha frequente: confundir “arritmia respiratória” com “bradipneia”. A definição clássica exige irregularidade respiratória (padrões anômalos), não apenas redução da frequência.

Referências úteis: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Evaluation and management of elevated intracranial pressure); Brain Trauma Foundation Guidelines para TCE grave (tríade como sinal tardio).

Mensagem prática: Ao ler “tríade de Cushing”, associe automaticamente: pressão alta + pulso lento + respiração irregular; não espere midríase nem turgência jugular como componentes.

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