Paciente com neuralgia do trigêmeo refratária a tratamento ...
Assinale a afirmativa correta acerca das opções cirúrgicas/percutâneas e suas respectivas indicações.
Gabarito comentado
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Tema central: Neuralgia do trigêmeo refratária às drogas (ex.: carbamazepina/oxcarbazepina) e a escolha entre técnicas cirúrgicas e percutâneas. Na forma “clássica”, há conflito neurovascular no root entry zone, gerando desmielinização e disparos ectópicos.
Estratégia de prova: Se o enunciado mencionar compressão vascular evidente (idealmente por RM com sequência CISS/FIESTA), pense em descompressão microvascular (DMV) com “patch” de teflon como a opção preferida, pois trata a causa.
Alternativa correta (C) – Justificativa: A DMV com interposição de teflon é indicada quando há conflito neurovascular claro, oferecendo as maiores taxas de controle duradouro da dor com preservação da sensibilidade facial. Evidências mostram ~80–90% de alívio inicial e ~70–80% livre de dor em 5 anos, superior às técnicas ablativas e à radiocirurgia em durabilidade, quando o paciente é bom candidato cirúrgico. Referências: European Academy of Neurology 2019, UpToDate, Harrison’s, AANS/CNS.
Por que as demais estão incorretas?
A) “Usar Gamma Knife em todos” é inadequado. A radiocirurgia tem latência de efeito (semanas), menores taxas de alívio sustentado que a DMV e é preferível em idosos/frágeis ou quando há contraindicação à craniotomia, não como escolha universal.
B) “Termocoagulação percutânea para todos” ignora individualização. Rizotomias percutâneas (radiofrequência, glicerol, balloon) são úteis em pacientes com alto risco cirúrgico ou sem compressão evidente, porém cursam mais com hipoestesia facial, disestesia, risco de anestesia dolorosa e ceratite (V1). Não são primeira linha universal.
D) “Inicialmente usar rizotomia por radiofrequência em casos refratários à neurolise por balão” é logicamente inconsistente (“inicialmente” vs “refratário”) e não há sequência rígida entre técnicas percutâneas. A escolha (RF, balão, glicerol) depende de território acometido (V2/V3 x V1), comorbidades e perfil de efeitos. Após falha de uma técnica, outra pode ser considerada, mas isso não define a opção inicial.
Conduta prática em TN refratária: confirmar diagnóstico; otimizar fármacos (carbamazepina/oxcarbazepina; alternativas: lamotrigina, baclofeno); solicitar RM de alta resolução. Havendo compressão vascular e bom risco cirúrgico → DMV com teflon. Sem compressão ou alto risco → técnicas percutâneas (RF, balão, glicerol) ou Gamma Knife conforme perfil do paciente.
Referências rápidas: EAN Guideline 2019 (trigeminal neuralgia), UpToDate (Trigeminal neuralgia: pathophysiology and management), Harrison’s Principles of Internal Medicine, AANS/CNS guidelines.
Pegadinha: palavras como “para todos os casos” costumam estar erradas; procure no enunciado o gatilho “compressão vascular evidente” para indicar descompressão microvascular.
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