Paciente de 65 anos, fumante há 40 anos, apresenta dispneia ...
Paciente de 65 anos, fumante há 40 anos, apresenta dispneia aos esforços e tosse produtiva com expectoração. Ao exame físico, é possível detectar aumento da frequência respiratória, diminuição do murmúrio vesicular e presença de roncos e sibilos difusos. A gasometria arterial apresenta: pH 7,38 (7,35-7,45); PaO2 62 mmHg (80-100 mmHg); PaCO2 49 mmHg (35-45 mmHg); HCO3- 27 mEq/L (22-28 mEq/L); SatO2 90% (92-98%). O VEF1 é 40% do previsto e a relação VEF1/CVF é 55%. O paciente foi diagnosticado com DPOC. Qual o fator prognóstico mais importante na evolução do DPOC?
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Tema central: A questão aborda o principal fator prognóstico na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), doença prevalente em adultos idosos, especialmente fumantes, caracterizada por limitação crônica e irreversível ao fluxo aéreo.
Justificativa da alternativa correta (C – VEF1):
O VEF1 (Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo) é considerado, segundo os principais protocolos nacionais e internacionais, o indicador mais relevante para prognóstico na DPOC. Ele mensura objetivamente o grau de obstrução ao fluxo aéreo e é utilizado para estadiar a gravidade da doença. Quanto menor o VEF1, maior a gravidade, risco de sintomas, exacerbações e morte.
Diretrizes da área:
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde: “A classificação da gravidade da DPOC deve ser baseada, obrigatoriamente, no valor do VEF1 (% do previsto) obtido pelo exame pós-broncodilatador.” (PCDT DPOC, MS, p. 18). O Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira também reforça o uso do VEF1 como principal parâmetro prognóstico e de decisão terapêutica.
Comentário das alternativas incorretas:
A) Gravidade da dispneia: Apesar da dispneia influenciar a melhora funcional e qualidade de vida, ela é subjetiva e menos precisa para determinar prognóstico e conduta.
B) Presença de cor pulmonale: A presença de cor pulmonale indica doença avançada, mas não é o principal fator prognóstico inicial, servindo mais como marcador de complicações finais.
D) Frequência de exacerbações: Embora importante para prever hospitalizações e mortalidade, tem valor prognóstico secundário ao VEF1 e está mais relacionado à evolução recente.
E) Uso de corticoides inalatórios: O uso desses medicamentos faz parte do tratamento, não sendo fator prognóstico, mas sim terapêutico.
Estratégia de prova: Atente-se ao pedido do enunciado: “fator prognóstico mais importante”. O examinador pode trazer várias opções relevantes, mas só uma é o principal parâmetro objetivo e padronizado para avaliar evolução e mortalidade: VEF1.
Em síntese, conforme protocolos e literatura médica padrão (Harrison’s Principles of Internal Medicine, GOLD Guidelines, e PCDT MS), o VEF1 é o melhor preditor isolado de prognóstico na DPOC.
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