Está correta a flexão de todas as formas verbais da frase:

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Q450212 Português
                                        Atualidade do velho Sêneca

        Encontra-se nos textos dos antigos clássicos uma sabedoria que não tem prazo de validade. Contemporâneo de Cristo, o sábio Sêneca, espanhol de nascimento que fez vida na Roma de Nero, deixou-nos um legado fundamental: princípios de uma corrente filosófica identificada com o estoicismo, cujas raízes se devem à cultura grega. Sêneca dedicou-se, em vários textos, à defesa desses princípios, cujo sentido está em disciplinar nossa vida para levá-la a bom termo, ou seja, atravessá- la com sabedoria e proveito.
       Um dos princípios fundamentais: evitar o excesso das paixões, que perturbam a tranquilidade da alma. O homem estoico não se deixa arrastar por sonhos irrealizáveis, nem estabelece para si o cumprimento de metas distintas: valoriza o dia a dia, encontra o prazer nas experiências cotidianas mais simples, aceitando o limite de sua força pessoal. A sabedoria está em vivermos o que é possível, para que na velhice não fiquemos a lamentar tudo o que não foi alcançado. Sábio é também não esquecer que os sofrimentos e as dores são inevitáveis: por isso, estejamos sempre preparados para o que é tão previsível como um infortúnio. Contando com ele, sofreremos menos.
       Para os estoicos, a inevitabilidade da morte deve estar no horizonte, não para atemorizar-nos, mas para nos lembrar que a vida é tão mais preciosa quanto a saibamos limitada pela própria natureza. Morrerá melhor quem melhor viva, ensina Sêneca, e o tempo da vida é de qualquer modo suficiente para quem sabe vivê-lo e aproveitá-lo em todos os momentos presentes, em vez de projetá-lo para o futuro ideal que nunca chega.
       A influência direta ou indireta desses princípios encontra-se em um sem-número de escritores. Em nossa literatura, o poeta Manuel Bandeira parece ter acolhido algumas convicções estoicas: sua vida e sua poesia fizeram-se sob a égide do limite, do menor, do imediato, em vez de aspirarem ao grandioso, ao infinito, ao transcendente. A simplicidade dos poemas de Bandeira está carregada da sabedoria de quem está atento ao que vive. O cotidiano é, para esse poeta, uma fonte permanente de poesia. Ler seus versos é aproximar-se dos sentimentos comuns que ganham inesperada altura.
      Não se pode, talvez, afirmar que Bandeira tenha lido Sêneca e com ele aprendido a viver melhor. Mas é certo que Sêneca gostaria de vir a ler os poemas de Bandeira.

                                                                                                                            (Valdir Callado, inédito)

Está correta a flexão de todas as formas verbais da frase:
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O comando pede identificar a frase em que todas as formas verbais estejam corretamente flexionadas; assim, o critério decisivo é verificar, alternativa por alternativa, se cada verbo obedece ao paradigma normativo. Nesse confronto, apenas a alternativa B mantém corretas as formas “absteve”, “requer” e “constitui”, enquanto A, C, D e E trazem, respectivamente, “destitue”, “detenhe”, “conteram” e “perfazer”, formas inadequadas no contexto.

Tema central: flexão verbal correta
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa está errada por causa de “destitue”. O verbo “destituir”, na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo, flexiona-se como “destitui”, não “destitue”.
B
Certa
Na alternativa B, todas as formas verbais estão corretamente flexionadas. “Absteve” é forma correta do pretérito perfeito do indicativo de “abster-se”; “requer” está corretamente flexionado no presente do indicativo; e “constitui” também está correta no presente do indicativo. Como a questão exige a frase em que todas as formas verbais estejam corretas, B satisfaz integralmente esse critério.
C
Errada
A incorreção está em “detenhe”. Após a estrutura “não há hoje quem...”, a forma exigida é do presente do subjuntivo, e o verbo “deter” flexiona-se como “detenha” na 3ª pessoa do singular.
D
Errada
O erro está em “conteram”. O verbo “conter”, no pretérito perfeito do indicativo, 3ª pessoa do plural, flexiona-se como “contiveram”.
E
Errada
A forma inadequada é “perfazer”. Em oração condicional introduzida por “se” com valor futuro, deve-se usar o futuro do subjuntivo. Assim, o correto é “Se ele perfizer todo o percurso...”, e não “Se ele perfazer...”.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão com verbos irregulares e derivados, especialmente em formas menos automáticas: “deter” → “detenha”, “conter” → “contiveram”, além da troca indevida entre infinitivo e futuro do subjuntivo em “se ele perfizer”.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique todas as formas verbais da alternativa, não apenas a mais chamativa.
  • Redobre a atenção com verbos derivados de “ter” e “haver”, porque costumam manter irregularidades do paradigma.
  • Em estruturas com “se” indicando condição futura, confira se o verbo está no futuro do subjuntivo, e não no infinitivo.

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Comentários

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erros

a) destitue / destitui

c) detenhe / detenha

d) conteram / contiveram

e) perfazer / perfizer

gaba = b

d) Contiveram

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