As medidas abaixo são eficazes e as mais utilizadas no contr...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3221951 Medicina
As medidas abaixo são eficazes e as mais utilizadas no controle da hipertensão intracraniana causada por traumatismo cranioencefálico, à exceção de
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: controle da hipertensão intracraniana (HIC) no traumatismo cranioencefálico (TCE). Pela doutrina de Monro–Kellie, qualquer aumento de volume (sangue, LCR ou parênquima) eleva a PIC; as medidas visam reduzir edema, otimizar retorno venoso e manter perfusão cerebral adequada.

Alternativa correta (exceção): D – hiperventilação

Por quê? A hiperventilação reduz a PaCO₂, causa vasoconstrição cerebral e queda do fluxo sanguíneo cerebral. Embora possa baixar a PIC rapidamente, aumenta o risco de isquemia, especialmente nas primeiras 24 h pós-TCE. As diretrizes da Brain Trauma Foundation desaconselham hiperventilação profilática (evitar PaCO₂ < 25 mmHg) e recomendam usá-la apenas como medida de resgate em herniação iminente, idealmente com monitorização de oxigenação cerebral (p.ex., SjvO₂, PbtO₂). Portanto, não é uma medida de uso rotineiro e sustentado para controle de HIC no TCE.

Análise das alternativas incorretas

A – Manitol IV: Osmótico; reduz edema e volume sanguíneo cerebral por efeito reológico. Eficaz em bolus de 0,25–1 g/kg. Exige euvolemia e monitorização de osmolaridade/função renal; evitar em hipotensão ou insuficiência renal. Recomendado em diretrizes (BTF; UpToDate; Harrison’s).

B – Salina hipertônica IV: 3% (infusão/bolus) ou bolus concentrados (7,5%–23,4%) conforme protocolo institucional. Melhora PIC, mantém melhor estabilidade hemodinâmica que o manitol em alguns cenários. Alvo sérico de Na+ geralmente 145–155 mEq/L. Vigiar hipernatremia e osmolaridade; soluções concentradas requerem via central. Suportada por diretrizes de neurocríticos (Neurocritical Care Society) e BTF.

C – Cabeceira elevada (≈30°): Medida simples e efetiva para otimizar retorno venoso, reduzindo PIC. Manter pescoço em posição neutra, evitar compressão jugular, otimizar pressão de perfusão cerebral (PPC 60–70 mmHg). É intervenção de primeira linha no TCE.

Estratégia para provas: atenção ao termo “à exceção”. Entre medidas usuais de primeira linha (cabeceira, osmoterapia com manitol/salina hipertônica), a hiperventilação é a pegadinha: somente temporária como resgate, não rotina.

Dicas práticas: além das opções listadas, priorize analgesia/sedação adequadas, normocapnia (PaCO₂ 35–40), normotermia, correção de hiponatremia e considerar drenagem de LCR ou craniectomia descompressiva conforme refratariedade.

Referências essenciais: Brain Trauma Foundation, 4th Ed. Guidelines for Severe TBI; UpToDate (Management of elevated ICP in adults); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo