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Q3221947 Medicina
A melhor opção para o tratamento da dor neuropática em um paciente com lesão de raiz nervosa perioperatória, entre as elencadas a seguir, é o(a)
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Tema central: manejo farmacológico da dor neuropática decorrente de lesão de raiz nervosa no perioperatório. Nessas situações, a primeira linha deve ser fármacos moduladores de vias excitatórias (antineuropáticos), não opioides convencionais.

Alternativa correta: B – gabapentina

A gabapentina é terapia de primeira linha para dor neuropática periférica (incluindo radiculopatia pós-lesão), conforme NeuPSIG/IASP e NICE (NG59). Mecanismo: liga-se à subunidade α2δ dos canais de cálcio voltagem-dependentes, reduzindo liberação de glutamato, substância P e noradrenalina, o que atenua a hiperexcitabilidade neuronal gerada pela lesão da raiz. Evidência clínica demonstra melhora da intensidade dolorosa e do sono, com perfil de segurança aceitável (tontura, sonolência). Dose habitual: iniciar 300 mg à noite e titular até 1.800–3.600 mg/dia, com ajuste renal. Fontes: NeuPSIG/IASP (2015, atualizações), NICE NG59, UpToDate, Harrison’s.

Por que as demais estão incorretas?

Fenobarbital (A): barbitúrico anticonvulsivante, sem evidência para dor neuropática e com alto risco de sedação, depressão respiratória e dependência. Não é recomendado em diretrizes para essa indicação.

Morfina (C): opioide forte. Em dor neuropática, apresenta resposta limitada e imprevisível; é terceira linha em casos refratários, devido a riscos (tolerância, constipação, hiperalgesia induzida por opioide). Diretrizes (NeuPSIG/NICE) sugerem evitar como primeira escolha.

Codeína (D): opioide fraco e pró-fármaco (depende de CYP2D6), com eficácia ainda mais incerta em dor neuropática e variabilidade individual. Não é primeira linha e pode causar efeitos adversos similares aos de outros opioides.

Estratégia de prova

Identifique palavras-chave como “dor neuropática” e “lesão de raiz nervosa”: priorize fármacos específicos (gabapentina, pregabalina, antidepressivos tricíclicos, SNRIs). Desconfie de opioides como primeira linha e lembre que nem todo anticonvulsivante serve (fenobarbital é armadilha).

Na prática clínica

Além da gabapentina, alternativas de primeira linha incluem pregabalina, duloxetina/venlafaxina e amitriptilina. Associe medidas não farmacológicas e reabilitação. Reavalie resposta e efeitos adversos de forma periódica.

Referências: NeuPSIG/IASP guidelines (2015, atualizações); NICE NG59 – Neuropathic pain in adults; UpToDate – Pharmacologic management of neuropathic pain; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: B – gabapentina.

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