O termo racismo ambiental surgiu nos Estados Unidos na déca...

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Q3954917 Sociologia
O termo racismo ambiental surgiu nos Estados Unidos na década de 1980, sendo atribuído ao ativista afro-americano Benjamin Chavis Jr., durante protestos contra a instalação de um aterro de resíduos tóxicos em uma comunidade majoritariamente negra no Condado de Warren, no Estado da Carolina do Norte. O local foi selecionado para o aterro, não por ser a melhor escolha no fator ambiental, mas sim, por aparentar não oferecer resistências contra a ação. Assim, o termo passou a designar a relação entre desigualdade racial e a distribuição injusta de impactos ambientais negativos.

Discussões iniciais sobre racismo ambiental: uma questão de injustiça (Adaptado). Revbea. São Paulo, v. 19, n. 7: 17-29, 2024. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/revbea/article/view/19008. Acesso em: 20 fev. 2026.


Nesse contexto, dadas as afirmativas,

I. Populações negras, quilombolas, ribeirinhas e periféricas vivem em áreas mais perigosas e sem infraestrutura, quando comparadas a outros segmentos sociais.

II. Falta de saneamento básico, de água potável e de coleta de lixo em áreas periféricas é bem maior do que em áreas nobres, caracterizando o acesso desigual à infraestrutura.

III. Instalação de indústrias poluentes, de aterros sanitários e de grandes obras em áreas habitadas por minorias, sem consulta prévia à população local.

IV. Aumento da vulnerabilidade a deslizamentos, de inundações e de calor extremo, devido à localização precária das moradias e à ausência de medidas de mitigação.


verifica-se que é/são característica/s válida/s que indica/m racismo ambiental 
Alternativas

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Gabarito: E

O que precisava saber: Era necessário dominar o conceito de racismo ambiental como distribuição desigual de riscos ambientais e de danos socioambientais que recai de forma desproporcional sobre grupos racializados e socialmente vulneráveis. Também era preciso reconhecer como sinais desse fenômeno a ocupação de áreas precarizadas, a oferta desigual de infraestrutura urbana, a instalação de empreendimentos poluentes em territórios vulnerabilizados e a maior exposição a deslizamentos, inundações e calor extremo.

Critério decisivo: A questão descreve racismo ambiental quando populações racializadas e/ou socialmente vulneráveis concentram mais riscos, menos infraestrutura e mais exposição a danos ambientais e urbanos; por isso, as quatro afirmativas apresentam traços típicos do fenômeno e tornam correta a alternativa E.

Tema central: Racismo ambiental como expressão de desigualdade socioespacial e racial na distribuição de riscos, carências e impactos ambientais.
Análise das alternativas
A
Errada
Está incorreta porque a afirmativa IV realmente caracteriza racismo ambiental, mas a base também reconhece como traços do fenômeno a desigualdade na ocupação do território (I), a infraestrutura urbana desigual (II) e a localização de empreendimentos poluentes em áreas vulnerabilizadas (III).
B
Errada
Está incorreta porque I e III são válidas, porém a base inclui igualmente a ausência ou insuficiência de saneamento, água potável e coleta de lixo em áreas periféricas (II) e a maior vulnerabilidade a desastres em moradias precárias e áreas de risco (IV) como indicadores do racismo ambiental.
C
Errada
Está incorreta porque II e IV descrevem características do racismo ambiental, mas a base também afirma que a maior exposição de populações negras, quilombolas, ribeirinhas e periféricas a áreas precarizadas (I) e a instalação de indústrias poluentes, aterros e grandes obras em territórios vulnerabilizados (III) são traços típicos do fenômeno.
D
Errada
Está incorreta porque, embora I, II e III estejam corretas, a afirmativa IV também encontra respaldo direto na base, que aponta a vulnerabilidade a deslizamentos, inundações e calor extremo, ligada à localização precária das moradias e à ausência de mitigação, como parte da desigualdade ambiental.
E
Certa
A alternativa E está correta porque as afirmativas I, II, III e IV, em conjunto, correspondem aos elementos centrais do racismo ambiental indicados na base: grupos negros, quilombolas, ribeirinhos e periféricos mais expostos a áreas precarizadas; desigualdade no acesso a saneamento, água potável e coleta de lixo; instalação de indústrias poluentes, aterros e grandes obras em áreas habitadas por populações vulnerabilizadas; e aumento da vulnerabilidade a deslizamentos, inundações e calor extremo em razão da localização precária das moradias e da ausência de mitigação.
Pegadinha da questão
A principal pegadinha é reduzir racismo ambiental apenas à presença de poluição ou de empreendimentos poluentes. Pela base, o conceito também abrange ausência de infraestrutura básica e maior vulnerabilidade a desastres, desde que esses impactos recaiam desproporcionalmente sobre grupos racializados e historicamente vulnerabilizados.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o enunciado mostra concentração de riscos e danos ambientais sobre grupos racializados e socialmente vulneráveis; esse é o núcleo do racismo ambiental.
  • Considere como indicadores do fenômeno não só a poluição, mas também a carência de saneamento, água potável, coleta de lixo e outros serviços básicos.
  • Identifique se há ocupação de áreas precarizadas ou maior exposição a deslizamentos, inundações e calor extremo, pois isso também integra a injustiça ambiental.
  • Observe se empreendimentos poluentes ou grandes obras são direcionados a territórios de populações vulnerabilizadas sem participação efetiva da comunidade.

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