Sobre o sistema glinfático, é correto afirmar que

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Q3221931 Medicina
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Tema central: O sistema glinfático é a via de “limpeza” do SNC: o líquor (LCR) entra ao longo de espaços para-arteriais, mistura-se ao fluido intersticial e drena por espaços para-venosos, removendo metabólitos (ex.: beta-amiloide, tau). Esse fluxo depende dos pés dos astrócitos ricos em Aquaporina-4 (AQP4), da pulsação arterial e do sono. (Iliff et al., Sci Transl Med 2012; Xie et al., Science 2013; UpToDate; Harrison’s)

Estratégia de prova: Identifique palavras-chave: “astrócitos/AQP4” → forte pista para a via glinfática; “oligodendrócitos” → geralmente não é o protagonista; “direção do fluxo” → entra por artérias, sai por veias; “espaços perivasculares” → podem dilatar, mas não é regra universal.

Alternativa correta (C) — Justificativa: Os pés dos astrócitos expressam AQP4 de forma polarizada, permitindo o transporte efetivo de água entre LCR e parênquima, sustentando o fluxo convectivo glinfático. Modelos com deleção de AQP4 têm redução marcante da depuração intersticial, comprovando o papel “canal-dependente”. Do ponto de vista funcional, a passagem de água nos pés astrocitários ocorre essencialmente via AQP4 (Iliff 2012; UpToDate), por isso a assertiva é considerada correta em concursos.

Análise das incorretas:

A) Oligodendrócitos produzem mielina; não são o elemento-chave do sistema glinfático. O protagonismo é dos astrócitos (AQP4) e dos espaços perivasculares. Logo, atribuir papel “fundamental” aos oligodendrócitos é conceitualmente inadequado. (Harrison’s)

B) Dilatação de espaços perivasculares pode ocorrer em envelhecimento, doença de pequenos vasos e em algumas condições com disfunção glinfática, mas não é achado obrigatório nem específico. Há heterogeneidade: pode haver obstrução, tortuosidade ou alterações de polaridade da AQP4 sem dilatação evidente. A generalização (“nas doenças que afetam esse sistema, ocorre dilatação”) torna a afirmação excessivamente abrangente. (UpToDate; revisões em neurorradiologia)

D) O fluxo não é bidirecional entre artérias e veias: o movimento líquido é de entrada para-arterial e saída para-venosa. Sono profundo e pulsação arterial amplificam esse padrão direcional. Portanto, dizer que é bidirecional contradiz o modelo aceito. (Iliff 2012; Xie 2013)

Dica prática: Ao ver “astrócito + AQP4 + espaços perivasculares”, pense em fluxo convectivo unidirecional e “transporte de água canal-dependente”. Cuidado com generalizações radiológicas (ex.: dilatação perivascular) tratadas como regra.

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