A neuralgia do trigêmeo, em geral, ocorre devido

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Q3221920 Medicina
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Tema central: Neuralgia do trigêmeo (NT) e sua etiologia principal. A NT típica é uma dor unilateral, paroxística, em “choque”, de segundos, com zonas-gatilho, mais em V2/V3, com exame neurológico normal entre as crises.

Alternativa correta: A — conflito neurovascular com a artéria cerebelar superior

O mecanismo mais comum da NT clássica é a compressão microvascular da raiz do trigêmeo na zona de entrada da raiz (root entry zone), frequentemente pela artéria cerebelar superior. Essa compressão causa desmielinização focal e “curto-circuito” entre fibras (transmissão efrática), gerando descargas paroxísticas dolorosas. Evidências: alta taxa de alívio com descompressão microvascular e achados de contato vascular em RM de alta resolução. Diretrizes EAN/AAN e revisões do UpToDate e Harrison’s corroboram esse modelo.

Como reconhecer isso na prova: se o enunciado sugere dor tipo “choque”, por segundos, desencadeada por toques leves, e sem déficits, pense em NT clássica por conflito neurovascular — a artéria cerebelar superior é a mais implicada.

Análise das incorretas

B) Condição neurodegenerativa: NT não é doença neurodegenerativa. Em jovens, pode ser secundária à esclerose múltipla (doença desmielinizante, não degenerativa), mas isso não explica a maioria dos casos clássicos.

C) Infecção por vírus neurotrópicos (à semelhança da paralisia facial periférica): A paralisia de Bell associa-se à reativação viral (HSV). Na NT, o principal mecanismo é vascular. Herpes-zoster pode causar neuralgia pós-herpética (dor contínua, em queimação, alodínia), clinicamente distinta da NT típica paroxística.

D) Estreitamento do forame oval/redondo: Não é causa usual de NT. Estreitamentos foraminais poderiam cursar com neuropatia trigeminal contínua e déficits sensitivos, não com paroxismos típicos. Causas compressivas raras (tumores de Ângulo Pontocerebelar/Seio de Meckel) são secundárias, não o padrão clássico.

Diagnóstico em prática: Clínica típica + RM de encéfalo com sequências de alta resolução (CISS/FIESTA) para evidenciar o conflito neurovascular e excluir causas secundárias (EM, tumores). Exame neurológico geralmente normal entre as crises.

Tratamento (resumo para prova): 1ª linha: carbamazepina ou oxcarbazepina. Refratários: descompressão microvascular (melhor controle a longo prazo) ou técnicas percutâneas/rádio-cirurgia. (Fontes: EAN 2019; AAN; UpToDate; Harrison’s)

Pegadinha frequente: confundir NT clássica com pós-herpética (dor contínua) ou atribuir a “neurodegeneração”. Foque em: paroxismos elétricos + gatilhos + SCA comprimindo a raiz.

Referências essenciais: European Academy of Neurology guideline (2019); AAN Practice Guideline; UpToDate: “Trigeminal neuralgia: Pathophysiology, diagnosis, and management”; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: A

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