As pessoas comemoram aniversários de namoro e de
casamento e jamais lembram os marcos das amizades. A
amizade repousa num tempo indefinido e vago, sem festa,
sem torta e sem parabéns. É uma omissão injusta. Favorecemos as amarras do romance e descuidamos dos laços da
fraternidade.
Ninguém festeja a data em que se conheceu um amigo
muito especial. Fabrício percebeu a lacuna quando Eduardo,
seu amigo que morava em São Paulo, lembrou-lhe de que
em 15 de agosto completariam 20 anos de amizade. Combinaram de jantar nesse dia para comemorar as bodas de
porcelana da amizade.
Amigo é algo tão sério que deveríamos pedir o ombro da
pessoa para os seus pais. Se pedimos a mão da mulher em
casamento, o ideal seria solicitar o ombro leal e fiel de nosso
amigo com a mesma solenidade, olhando nos olhos dos pais
dele e prometendo sinceridade e cuidado para a vida toda.
Amigo é destino, amigo é vocação, é amor de anjo, é inocência de intenção.
Temos que frequentar a casa e a família, ir a enterros e
nascimentos, suportar a intimidade das contradições e oferecer conselhos. Pelo jeito, Fabrício e Eduardo chegarão às
bodas de ouro. Faltam ainda trinta anos, mas não tiveram
nenhuma discussão de relacionamento ao longo da cumplicidade de ambos.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2017. Adaptado)
No trecho do terceiro parágrafo — Fabrício percebeu a
lacuna quando Eduardo, seu amigo que morava em São
Paulo, lembrou-lhe de que em 15 de agosto completariam
20 anos de amizade. Combinaram de jantar nesse dia
para comemorar as bodas de porcelana da amizade. —,
as palavras destacadas estabelecem, respectivamente,
sentido de