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Q3656066 Farmácia
A doença cardíaca coronariana (DCC) é a principal causa de mortes no mundo. A DCC está relacionada com níveis elevados da lipoproteína de baixa densidade colesterol e triglicerídeos e com níveis baixos de lipoproteína de alta densidade colesterol. Mudanças adequadas no estilo de vida, associadas ao tratamento medicamentoso, podem reduzir de 30 a 40% a mortalidade por DCC.

Fonte: Whalen, Karen; Finkel, Richard; Panavelil, Thomas A. Farmacologia Ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

Acerca dos anti-hiperlipêmicos é CORRETO afirmar que:
Alternativas

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Tema central: Farmacologia dos anti-hiperlipêmicos, especialmente estatinas, que reduzem LDL-C ao inibir competitivamente a HMG-CoA redutase (etapa limitante da síntese de colesterol), aumentando receptores de LDL hepáticos e a depuração plasmática. Isso se traduz em redução de eventos cardiovasculares e mortalidade (Harrison’s; UpToDate; Diretrizes ESC/EAS 2019 e SBC 2022).

Alternativa correta: C
Justificativa: Lovastatina, sinvastatina, pravastatina, atorvastatina, fluvastatina, pitavastatina e rosuvastatina são inibidores competitivos da HMG-CoA redutase, a etapa limitante da síntese de colesterol. Ao reduzir o colesterol hepático, há upregulation de LDLR e queda do LDL-C, com forte evidência de redução de risco cardiovascular. Essa é a base das recomendações atuais de tratar o LDL como alvo terapêutico principal (ESC/EAS 2019; ACC/AHA 2018/2022; SBC 2022).

Análise das alternativas incorretas:

A – “Lovastatina e sinvastatina são lactonas hidrolisadas do fármaco inativo.”
Está incorreta por inversão conceitual. Lovastatina e sinvastatina são pró-fármacos em forma de lactona inativa, que são hidrolisadas para a forma ativa (ácido β-hidroxilado). Ou seja, são lactonas inativas que viram o fármaco ativo, e não “derivadas do fármaco inativo”. Observação: pravastatina, atorvastatina, rosuvastatina e pitavastatina já são ácidos ativos.

B – “Só podem ser usados isoladamente.”
Falso. A terapia combinada é frequente quando a meta de LDL-C não é atingida: estatina + ezetimiba (IMPROVE-IT), estatina + inibidor de PCSK9 (FOURIER/ODYSSEY, diretrizes ESC/EAS e SBC). Combinações com resinas ou ômega-3 podem ser usadas conforme perfil lipídico. Cautela: estatina + gemfibrozil aumenta risco de miopatia; preferir fenofibrato quando necessário.

D – “Ezetimiba… aumentando a oferta de colesterol intestinal para o fígado.”
Incorreta. A ezetimiba inibe o transportador NPC1L1 no enterócito, reduzindo a absorção do colesterol da dieta e biliar e, portanto, diminuindo o aporte de colesterol ao fígado. Isso promove mais receptores de LDL e menor LDL-C.

E – “Redução de HDL é o objetivo principal.”
Errado. O alvo principal é reduzir LDL-C. Intervenções para aumentar HDL (ex.: niacina) não mostraram redução de eventos (AIM-HIGH; HPS2-THRIVE). Diretrizes atuais focam metas/limiares de LDL-C conforme risco.

Estratégias de prova:
- Desconfie de termos absolutos como “” (B).
- Mecanismo-chave em estatinas: “inibidores competitivos da HMG-CoA redutase” (C).
- Atenção à direção do efeito: ezetimiba reduz (não aumenta) colesterol ao fígado (D).
- Meta terapêutica: LDL-C, não HDL (E).

Referências essenciais: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Dyslipidemia management); ESC/EAS 2019 Dyslipidemia Guidelines; ACC/AHA 2018/2022; Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC, 2022).

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