Leia o caso clínico a seguir. Paciente do sexo feminino, de...

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Q4154315 Medicina

Leia o caso clínico a seguir.



Paciente do sexo feminino, de 30 anos, queixa-se de obstrução nasal bilateral, quase diária, há cinco meses, associada à rinorreia hialina, prurido nasal e espirros. Relata ter feito uso de corticosteroide nasal, sem melhora. Tem teste cutâneo (prick test) negativo, pesquisa de IgE para aeroalérgenos (RAST) negativo e a citologia nasal mostra 20% de eosinófilos.



O diagnóstico para esse caso é de

Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso reúne quadro clínico de rinite crônica com espirros, prurido, rinorreia e obstrução nasal, mas com prick test e IgE específica para aeroalérgenos negativos e citologia nasal com 20% de eosinófilos. Essa dissociação entre sintomas e ausência de sensibilização alérgica sistêmica, associada à eosinofilia nasal, é compatível com rinite eosinofílica não alérgica (NARES), o que sustenta o gabarito A.

Tema central: NARES
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica o fenótipo descrito no caso: rinite crônica com sintomas semelhantes aos da rinite alérgica, porém sem demonstração de sensibilização IgE-mediada sistêmica e com eosinofilia na citologia nasal. Esse é o núcleo diagnóstico de rinite eosinofílica não alérgica. A observação de que pode haver resposta a antileucotrienos é compatível com esse perfil eosinofílico, embora não seja o critério central para fechar o diagnóstico.
B
Errada
Está errada porque classifica o quadro como rinite alérgica persistente moderada/grave, mas rinite alérgica exige correlação clínico-laboratorial com sensibilização IgE a alérgeno relevante. Aqui, tanto o prick test quanto a IgE específica para aeroalérgenos são negativos. A falta de resposta ao corticosteroide nasal não corrige essa ausência de base etiológica e não transforma o caso em rinite alérgica refratária.
C
Errada
Está errada pelo mesmo erro diagnóstico de origem: pressupõe rinite alérgica não controlada, o que não se sustenta diante dos testes alérgicos negativos e da eosinofilia nasal apontando para NARES. Além disso, propor corticosteroide oral por curto período depende de indicação clínica específica; neste caso, o problema central é que o subtipo de rinite foi classificado de modo incorreto antes de qualquer escalonamento terapêutico.
D
Errada
Está errada porque rinossinusite fúngica alérgica não é definida apenas por sintomas de rinite e eosinofilia nasal. Essa entidade costuma exigir doença nasossinusal com achados próprios, incluindo elementos clínicos e radiológicos específicos. O enunciado não traz sinusopatia crônica, achados tomográficos, mucina alérgica ou outros dados que sustentem esse diagnóstico.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de chamar de rinite alérgica todo quadro com prurido, espirros e rinorreia hialina; o ponto decisivo era não ignorar os testes alérgicos negativos e valorizar a eosinofilia na citologia nasal como marcador de NARES.
Dica para questões semelhantes
  • Em rinite crônica, primeiro defina se há ou não sensibilização alérgica sistêmica; sintomas isolados não bastam para rotular rinite alérgica.
  • Quando prick test e IgE específica forem negativos, a citologia nasal pode redefinir o fenótipo inflamatório e apontar para NARES.
  • Falha a corticosteroide intranasal não muda sozinha o diagnóstico etiológico; ela não transforma um quadro em rinite alérgica refratária.
  • Não associe eosinofilia nasal automaticamente a doença fúngica sinonasal; essa hipótese exige achados clínicos e complementares próprios.

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