Valdemar, 32 anos, com histórico de hanseníase em tratamento...

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Q3409366 Medicina
Valdemar, 32 anos, com histórico de hanseníase em tratamento há 4 meses, relata o surgimento de pápulas eritematosas nos membros superiores. Por conta própria, iniciou o uso de prednisona 40 mg/dia por 2 semanas. Após suspender a medicação, desenvolveu pústulas, vesículas, crostas dolorosas e bolhas de conteúdo purulento nos pés, acompanhadas de febre e mal-estar geral. Os testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C foram negativos. Durante o exame físico, foram observados aumentos dos linfonodos em várias cadeias, orquiepididimite e iridociclite. Os exames laboratoriais mostram aumento dos níveis de TGO, TGP, bilirrubinas, além de anemia e hematúria. Qual seria o diagnóstico de Valdemar? 
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Tema central: O tema abordado é reação hansênica tipo 2 grave (eritema nodoso necrotizante), complicação imunológica da hanseníase, caracterizada por alterações cutâneas sistêmicas e potencial risco à vida.

Justificativa para a alternativa correta (E): O paciente em tratamento de hanseníase evolui com lesões cutâneas ativa e ulceradas (pústulas, vesículas, crostas e bolhas purulentas), associadas a febre, linfadenomegalia, orquiepididimite e iridociclite — manifestações sistêmicas típicas da reação hansênica tipo 2, mais especificamente a forma "necrotizante" de eritema nodoso hansênico.

Tal quadro, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase do Ministério da Saúde: "Em casos severos pode ocorrer necrose e ulceração das lesões (eritema nodoso necrotizante)". Esses sintomas, aliados ao comprometimento hepático e renal (aumento de TGO, TGP, bilirrubinas, anemia e hematúria), consolidam o diagnóstico.

Comentando as alternativas incorretas:

A) Septicemia por piodermite: Apesar de haver febre e lesões no trajeto cutâneo, o envolvimento sistêmico (orquiepididimite, iridociclite, linfadenomegalia) é mais característico da reação hansênica tipo 2 que de septicemia secundária à piodermite.

B) Efeito adverso à rifampicina: Efeitos colaterais comuns são hepatite medicamentosa, náuseas e outros sintomas gastrointestinais, lesões cutâneas graves e multissistêmicas não são típicas desse fármaco.

C) Efeito adverso à dapsona: Pode causar síndrome tipo Stevens-Johnson, hemólise ou metemoglobinemia, porém não justifica as manifestações sistêmicas e o padrão necrótico/vesicobolhoso tão extensos descritos.

D) Reação Tipo 1 com infecção secundária: Essa reação cursa principalmente com exacerbação das lesões prévias e neurite, sem o quadro sistêmico clássico da reação tipo 2, nem com lesões tão extensas necróticas.

Dica de prova: Sempre procure sintomas sistêmicos e lesões cutâneas agravadas em pacientes com hanseníase — são pistas-chave para diferenciar entre os tipos de reação.

Referências: PCDT da Hanseníase, Ministério da Saúde, pág. 60-61.
Anais Brasileiros de Dermatologia, casos de eritema nodoso necrotizante (2021).

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