Paciente masculino, 61 anos, procurou o serviço de emergênci...
Estava em regular estado geral, corado, hidratado e afebril. Dispneia ao repouso com agitação. PA 100x70mmHg, FR 32irpm com tiragem intercostal e saturação de 72% em ar ambiente.
Sua ausculta pulmonar revelava murmúrios vesiculares diminuídos globalmente com roncos esparsos. Demais exame físico não tinha alteração.
Solicitado uma gasometria arterial em ar ambiente, Rx de tórax, hemograma, função renal e eletrólitos. Iniciado oxigenioterapia com cateter nasal a 2L/min, prescrito salbutamol 8 gotas + ipratrópio 35 gts via inalatória, além de 60mg de metilprednisolona endovenosa.
Após 1 hora da conduta inicial, o paciente persistia queixando-se de dispneia e agora apresentava-se sonolento, mas ainda responsivo e foi solicitado nova gasometria arterial.
1º Gasometria arterial (em ar ambiente): pH 7,22, PaO2 45mmHg, PaCO2 69mmHg, HCO3 29mEq/L, BE + 4,5, SatO2 73%.
2º Gasometria arterial (com CNO2 2L/min): pH 7,1, PaO2 91mmHg, PaCO2 87mmHg, HCO3 30mEq/L, BE + 5,7, SatO2 96%.
Qual seria uma justificativa para a piora clínica e das trocas gasosas exibida pelo paciente no momento da coleta da segunda gasometria arterial?
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Gabarito: C
Fundamento decisivo: A segunda gasometria mostra piora importante da acidemia e da hipercapnia após a oxigenoterapia, apesar da melhora da PaO2; esse é o critério médico central que sustenta o gabarito oficial.
- Compare sempre as gasometrias em sequência: melhora da PaO2 com piora da PaCO2 e do pH aponta para retenção de CO2 após oxigênio.
- Em DPOC hipercápnico, não conclua melhora apenas porque a saturação subiu; avalie junto ventilação e acidemia.
- Quando a prova cobrar mecanismo da piora após oxigenoterapia em DPOC, a formulação clássica esperada costuma ser supressão do estímulo hipóxico, mesmo que a fisiologia real seja multifatorial.
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