Paciente masculino, 2 anos de idade, levado ao pronto-socorr...

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Ano: 2022 Banca: UNIOESTE Órgão: CONSAMU Prova: UNIOESTE - 2022 - CONSAMU - Médico |
Q4109823 Medicina
Paciente masculino, 2 anos de idade, levado ao pronto-socorro pela mãe após queda da cama, há aproximadamente 30 minutos. Apresentava-se choroso, mas acalmava-se no colo da mãe. Não havia sinais de maus-tratos, e seu exame físico era normal, exceto pela presença de hematoma pequeno em região frontotemporal direita. Sua mãe negou vômitos, síncope, alteração comportamental ou crise convulsiva. Sua PA era de 110x60mmHg, FC 95bpm, FR 18 irpm e escala de coma de Glasgow de 15.
Qual é a conduta inicial?
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a estratificação clínica de baixo risco no TCE pediátrico leve: a criança tem Glasgow 15, exame neurológico normal, mecanismo de baixa energia (queda da cama), ausência de vômitos, perda de consciência, convulsão, alteração comportamental, déficit focal ou sinais de fratura, e apenas pequeno hematoma isolado em couro cabeludo; isso afasta indicação inicial de tomografia, internação ou tratamento de hipertensão intracraniana e sustenta alta com orientações e vigilância domiciliar.

Tema central: TCE leve pediátrico
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa correta se apoia no fato de o quadro preencher perfil de baixo risco para lesão intracraniana clinicamente importante. O trauma foi de baixa energia, a criança está com Glasgow 15, sem sinais neurológicos, sem vômitos, sem convulsão, sem alteração do comportamento e sem sinais de fratura. O pequeno hematoma frontotemporal, isoladamente, não cria indicação mandatória de tomografia nem de internação terapêutica. Nesse contexto, a conduta inicial compatível com a estratificação clínica é alta com orientações e vigilância por cuidador.
B
Errada
Observação hospitalar por pelo menos 12 horas exige um cenário de risco intermediário, dúvida evolutiva, sintomas persistentes ou limitação para vigilância adequada. Nada disso aparece no enunciado. Com TCE leve, Glasgow 15, exame normal e ausência de sinais de alarme, não há critério clínico apresentado que imponha permanência hospitalar prolongada.
C
Errada
Tomografia de crânio não é indicada como rotina em TCE leve de baixo risco. Os achados que aumentariam a probabilidade de lesão intracraniana significativa — rebaixamento do nível de consciência, vômitos repetidos, convulsão, alteração mental, déficit neurológico, sinais de fratura ou mecanismo grave — estão ausentes. O pequeno hematoma isolado não sustenta neuroimagem imediata neste caso.
D
Errada
Internação com medidas para hipertensão intracraniana é inadequada porque não há qualquer elemento clínico compatível com essa condição. O enunciado não descreve rebaixamento de consciência, anisocoria, déficit focal, alteração respiratória, bradicardia ou deterioração clínica. Instituir tratamento para hipertensão intracraniana nesse cenário seria conduta sem base clínica.
E
Errada
Tomografia associada à avaliação neurocirúrgica inicial é reservada para suspeita de lesão intracraniana relevante, fratura craniana, deterioração neurológica ou achados de alto risco. O caso não traz nenhum desses critérios. A localização frontotemporal do pequeno hematoma, isoladamente, não autoriza concluir necessidade de investigação neurocirúrgica urgente.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de supervalorizar a idade pediátrica e o hematoma de couro cabeludo como se fossem indicação automática de tomografia ou observação hospitalar, quando o que define a conduta é o conjunto de baixo risco clínico.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique primeiro a gravidade pelo Glasgow e pelo exame neurológico; Glasgow 15 com exame normal aponta para TCE leve.
  • Procure ativamente os sinais que mudam a conduta: vômitos, perda de consciência, convulsão, alteração comportamental, déficit focal, sinais de fratura e mecanismo de alta energia.
  • Não trate hematoma de couro cabeludo isolado como indicação automática de tomografia; ele precisa ser interpretado junto ao restante da avaliação clínica.
  • Em TCE leve de baixo risco, a chave é reconhecer quando a alta orientada é segura e quando há critérios objetivos para imagem ou observação hospitalar.

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