Paciente de 58 anos, sexo feminino, portadora de adenocarcin...

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Ano: 2022 Banca: UNIOESTE Órgão: CONSAMU Prova: UNIOESTE - 2022 - CONSAMU - Médico |
Q4109816 Medicina
Paciente de 58 anos, sexo feminino, portadora de adenocarcinoma de ovário associada à carcinomatose peritoneal, encontra-se no terceiro ciclo de quimioterapia, com a melhor associação de drogas antineoplásicas disponível no momento. O exame clínico comprova evolução da doença, a despeito do tratamento. A paciente manifesta vontade de não mais ser submetida ao tratamento quimioterápico, nem de internar-se em hospital. Apresentando fortes dores abdominais, seu médico assistente a sedou com morfina, em sua própria residência, conforme o desejo da paciente. Após duas horas, a paciente apresentou insuficiência respiratória e hipotensão, evoluindo para óbito. Em relação ao caso supracitado, assinale a alternativa CORRETA quanto à atuação médica baseada no código de ética médica: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a intenção terapêutica: em paciente capaz, com doença incurável em progressão e dor importante, é eticamente legítimo oferecer analgesia/sedação paliativa proporcional para controle de sintomas e respeitar a recusa de tratamento e internação; isso não se confunde com eutanásia.

Tema central: Sedação paliativa ética
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque eutanásia exige ato intencional para provocar a morte. O enunciado não descreve intenção de matar, e sim uso de morfina para controlar dor intensa em contexto paliativo e conforme o desejo da paciente. O fato de opioide poder associar-se a depressão respiratória ou de o óbito ocorrer depois da medicação não basta para reclassificar a conduta como eutanásia.
B
Errada
Está errada porque distanásia é o prolongamento indevido e sofrido do processo de morrer por medidas desproporcionais. O caso mostra o oposto: suspensão de tratamento recusado pela paciente e foco em conforto. Analgesia e sedação paliativa não impõem sofrimento adicional para prolongar a vida; servem para aliviar sofrimento na terminalidade.
C
Errada
Está errada porque a analgesia/sedação paliativa não é tratamento fútil quando o objetivo assistencial passou a ser conforto. Futilidade terapêutica pressupõe ausência de benefício clínico relevante para os objetivos do cuidado. Aqui há benefício direto e claro: alívio da dor e do sofrimento. O que poderia ser considerado fútil seria insistir em terapia antineoplásica sem benefício razoável, não o cuidado paliativo sintomático.
D
Certa
A alternativa D é correta porque a questão contrapõe duas possibilidades éticas: provocar a morte versus aliviar sofrimento em terminalidade. Aqui, a morfina foi usada em contexto paliativo, para dor intensa, com respeito à vontade da paciente que recusou quimioterapia e internação. O ponto diferencial é que analgesia/sedação paliativa tem finalidade de conforto e controle de sintomas refratários, enquanto eutanásia exige intenção de causar a morte. Por isso, a conduta descrita é compatível com ética médica e com a vedação de obstinação terapêutica.
E
Errada
Está errada porque mistanásia se relaciona a morte evitável por abandono, exclusão, omissão estrutural ou falta injusta de acesso. Nada disso foi descrito. Ao contrário, a paciente recebia a melhor quimioterapia disponível e permaneceu assistida pelo médico, inclusive em domicílio. Respeitar recusa de tratamento não é abandono assistencial.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre sedação/analgesia paliativa e eutanásia pelo fato de o óbito ter ocorrido após uso de morfina; o ponto decisivo não é a sequência temporal, e sim a finalidade da conduta e o contexto de terminalidade com recusa autônoma de tratamento.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie sempre intenção de aliviar sintomas de intenção de provocar a morte; essa distinção separa sedação paliativa de eutanásia.
  • Em paciente capaz, a recusa de quimioterapia e de internação deve ser incorporada à análise ética da conduta.
  • Não chame de fútil toda intervenção em doença incurável: em cuidados paliativos, controle de sintomas é benefício clínico real.
  • Distanásia é excesso terapêutico que prolonga o morrer com sofrimento; limitação de tratamento com foco em conforto aponta na direção oposta.

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