A mãe de um paciente masculino de14 anos aciona o SAMU, soli...

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Ano: 2022 Banca: UNIOESTE Órgão: CONSAMU Prova: UNIOESTE - 2022 - CONSAMU - Médico |
Q4109815 Medicina
A mãe de um paciente masculino de14 anos aciona o SAMU, solicitando atendimento médico para o seu filho, que, segundo ela, acabou de apresentar uma crise convulsiva de aproximadamente 2 minutos de duração e agora encontra-se sonolento e pouco responsivo. Não tem histórico de doenças ou internamentos prévios, não faz uso de medicações contínuas e encontrava-se em bom estado de saúde nas últimas semanas, sem histórico de febre ou infecções recentes. Ao chegar à casa do paciente, ele apresenta nova crise convulsiva tônico-clônica generalizada com 7 minutos de duração. Sobre esse caso, é CORRETO afirmar:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Estado de mal epiléptico convulsivo é definido operacionalmente por crise tônico-clônica generalizada com duração maior que 5 minutos ou por crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas; no caso, há crise atual de 7 minutos e rebaixamento de consciência após crise prévia, o que torna correta a alternativa C.

Tema central: Estado de mal epiléptico convulsivo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque primeira crise da vida não exclui estado de mal epiléptico. O critério diagnóstico é temporal e clínico: crise tônico-clônica generalizada por mais de 5 minutos ou crises seriadas sem recuperação da consciência. O caso preenche esse critério independentemente de antecedente epiléptico.
B
Errada
Está errada porque o quadro descrito é compatível com crise epiléptica verdadeira, não havendo base clínica para priorizar diagnóstico psicogênico. A presença de crise tônico-clônica generalizada prolongada associada a sonolência e baixa responsividade pós-ictais sustenta evento epiléptico até prova em contrário. Rotular como pseudocrise nesse cenário atrasaria tratamento de urgência.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reconhece adequadamente um estado de mal epiléptico convulsivo a partir dos achados clínicos do caso e propõe a sequência técnica apropriada. Não é necessário antecedente de epilepsia nem duração de 30 minutos para firmar esse diagnóstico prático; a crise convulsiva generalizada em curso por 7 minutos já exige tratamento imediato, e o fato de o paciente não ter recuperado plenamente a consciência após a crise anterior reforça ainda mais o diagnóstico. Nessa situação, a prioridade é estabilização inicial pelo ABCDE, com proteção de via aérea, suporte ventilatório/circulatório, monitorização e glicemia, associando benzodiazepínico, como midazolam, como droga de primeira linha para abortar a crise. Depois da estabilização, cabe investigação etiológica com exames laboratoriais e, conforme o contexto, neuroimagem e eletroencefalograma.
D
Errada
Está errada porque punção lombar não é rotina universal no primeiro episódio convulsivo. A coleta de líquor depende de suspeita clínica específica, como infecção do sistema nervoso central ou outra indicação selecionada. O enunciado não autoriza transformá-la em conduta obrigatória para todos.
E
Errada
Está errada por erro farmacotécnico e de esquema terapêutico. Embora o midazolam pertença à primeira linha, a alternativa descreve fenitoína de modo inadequado: ela não deve ser diluída em soro glicosado 5%, a dose apresentada de 30 mg/kg não corresponde ao esquema usual de segunda linha referido na base, e a proposta de bolus repetidos a cada 20 minutos, como redigida, é tecnicamente insegura e potencialmente perigosa.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões clássicas: achar que primeira crise não pode ser estado de mal epiléptico e usar o conceito antigo de esperar 30 minutos para reconhecer o quadro, quando o critério prático é crise convulsiva generalizada por mais de 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência.
Dica para questões semelhantes
  • Em crise tônico-clônica generalizada, use o critério operacional: mais de 5 minutos ou recorrência sem recuperação da consciência já define estado de mal epiléptico convulsivo.
  • Antecedente ausente de epilepsia não muda o reconhecimento do estado de mal; o diagnóstico é feito pelo padrão clínico e pela duração.
  • Na conduta inicial, priorize ABCDE e benzodiazepínico como primeira linha antes de discutir investigação etiológica detalhada.
  • Desconfie de alternativas que transformam punção lombar em rotina universal ou que tragam erro de diluente, dose ou forma de infusão de anticonvulsivantes.

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