História Clínica: Paciente masculino, 42 anos de idade, anal...

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Q4152441 Medicina
História Clínica: Paciente masculino, 42 anos de idade, analista de sistemas, comparece ao consultório com queixa de dor na região posterior do pescoço (cervicalgia) há cerca de dois meses, com piora progressiva. Ele relata que a dor se intensifica ao final do dia de trabalho em frente ao computador e melhora parcialmente com o uso de analgésicos comuns. Nas últimas duas semanas, começou a notar uma sensação de formigamento (parestesia) que irradia pelo membro superior esquerdo, atingindo a face lateral do antebraço e o primeiro e segundo dedos (polegar e indicador). Nega traumas recentes ou febre.
Exame Físico: - Inspeção: Protrusão da cabeça e aumento da cifose torácica.
- Palpação: Presença de pontos-gatilho (trigger points) dolorosos nos músculos trapézio superior esquerdo e elevador da escápula.
- Amplitude de Movimento (ADM): Limitação dolorosa para a extensão e para a inclinação lateral esquerda da cabeça.
Testes Específicos: - O Teste de Spurling (compressão foraminal) foi positivo para o lado esquerdo, reproduzindo a dor irradiada e as parestesias no membro superior. O teste de distração cervical aliviou os sintomas.
Exame Neurológico: - Redução de força discreta (grau 4/5) na flexão do cotovelo esquerdo e hiporreflexia do reflexo estilocorradial (braquiorradial) esquerdo. Diminuição da sensibilidade dolorosa e tátil no dermátomo correspondente.
Com base nos dados clínicos, qual é a principal hipótese diagnóstica estrutural e a raiz nervosa acometida?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela correlação dermátomo-miótomo-reflexo com sinais de compressão radicular cervical: parestesia na face lateral do antebraço com polegar e indicador, fraqueza na flexão do cotovelo e hiporreflexia braquiorradial localizam o acometimento em C6, e o Spurling positivo com alívio pela distração cervical indica mecanismo compressivo foraminal, compatível com radiculopatia cervical por hérnia discal ou osteófito.

Tema central: Radiculopatia cervical C6
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque o quadro não é apenas cervicalgia mecânica postural. Há sinais neurológicos segmentares objetivos: dor irradiada em padrão dermatomérico, parestesias, diminuição de sensibilidade, fraqueza 4/5 na flexão do cotovelo, hiporreflexia braquiorradial e testes radiculares positivos. Má postura e pontos-gatilho podem coexistir, mas não explicam sozinhos síndrome radicular.
B
Certa
A alternativa correta reúne dois pontos demonstrados no caso. Primeiro, há síndrome radicular objetiva: dor irradiada em território dermatomérico, hipoestesia, fraqueza segmentar e hiporreflexia. Segundo, a topografia é de C6, porque o território sensitivo descrito envolve face lateral do antebraço, polegar e indicador, e o reflexo alterado é o braquiorradial; além disso, a fraqueza na flexão do cotovelo é compatível com essa raiz. O Spurling positivo reproduz sintomas por estreitamento foraminal e a distração cervical alivia por descompressão radicular, sustentando mecanismo estrutural compressivo cervical, tipicamente por hérnia discal ou osteófito.
C
Errada
Incorreta porque a topografia não é de C5. Radiculopatia C5 tende a se manifestar mais com dor no ombro e face lateral proximal do braço, déficit de abdução do ombro/deltoide e maior relação com reflexo bicipital. Neste caso, o padrão sensitivo distal para polegar e indicador e a hiporreflexia braquiorradial favorecem C6. A fraqueza na flexão do cotovelo isoladamente pode gerar confusão, mas não supera o restante da correlação clínica.
D
Errada
Incorreta porque a síndrome do desfiladeiro torácico neurogênico costuma comprometer o plexo braquial inferior, com sintomas predominando em território C8-T1, especialmente borda ulnar da mão e 4º-5º dedos, além de possível fraqueza intrínseca da mão. O caso mostra padrão dermatomérico C6 e testes cervicais típicos de compressão radicular, o que favorece raiz cervical e não plexopatia inferior.
E
Errada
Incorreta porque não há sinais de mielopatia cervical. Um quadro medular compressivo exigiria sinais de trato longo, como hiperreflexia difusa, clônus, Babinski, espasticidade, distúrbio de marcha, déficit bilateral ou alteração esfincteriana. Aqui o comprometimento é unilateral, focal e radicular, com hiporreflexia segmentar, o que aponta contra mielopatia.
Pegadinha da questão
A banca mistura achados posturais e pontos-gatilho com um quadro radicular verdadeiro e ainda induz confusão entre C5 e C6 pela fraqueza na flexão do cotovelo; o desempate correto vem da distribuição sensitiva para polegar/indicador e da hiporreflexia braquiorradial.
Dica para questões semelhantes
  • Em cervicalgia com irradiação, primeiro decida se existe síndrome radicular objetiva: dermátomo, déficit sensitivo, força segmentar, reflexo e testes cervicais.
  • Para diferenciar C5 de C6, valorize mais a distribuição sensitiva distal e o reflexo alterado do que um único músculo com inervação sobreposta.
  • Spurling que reproduz sintomas e distração que alivia apontam para compressão radicular foraminal cervical.
  • Não deixe achados miofasciais ou posturais apagarem déficits neurológicos segmentares; eles podem coexistir, mas não substituem a topografia radicular.

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