Paciente masculino, 42 anos, relata queimação retroesternal ...

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Q4152437 Medicina
Paciente masculino, 42 anos, relata queimação retroesternal (pirose) e sensação de retorno de líquido azedo à boca (regurgitação) há 8 meses. Os sintomas pioram após refeições copiosas, consumo de café e ao deitar-se. Nega disfagia, odinofagia, perda de peso ou sangramentos. É tabagista (10 maços-ano) e apresenta IMC de 29,5 kg/m² (sobrepeso). Realizou endoscopia digestiva alta (EDA) que demonstrou a presença de erosões lineares longitudinalmente em mucosa esofágica, menores que 5 mm, não contínuas entre os ápices de duas pregas esofágicas (Classificação de Los Angeles grau A). Com base no quadro clínico, nas diretrizes diagnósticas e no manejo terapêutico da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), assinale a alternativa INCORRETA: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A diretriz do ACG orienta que manifestações extraesofágicas sem sintomas típicos de DRGE devem ser investigadas com teste objetivo de refluxo, preferencialmente pHmetria/impedâncio-pHmetria, e não confirmadas apenas por resposta a IBP; por isso, a afirmação da alternativa E contraria o critério diagnóstico correto e é a incorreta.

Tema central: Diagnóstico da DRGE
Análise das alternativas
A
Errada
Não está incorreta. O caso tem sintomas típicos de DRGE e EDA com esofagite erosiva grau A de Los Angeles, cenário compatível com tratamento inicial com IBP em dose plena por 4 a 8 semanas associado a medidas comportamentais. Perda de peso e cessação do tabagismo são pertinentes porque o enunciado traz sobrepeso e tabagismo como fatores associados.
B
Errada
Não está incorreta. Disfagia progressiva, odinofagia, anemia, emagrecimento inexplicado e suspeita relevante de neoplasia mudam a abordagem, porque deixam de ser um quadro para manejo empírico simples e passam a exigir EDA precoce para excluir complicações estruturais e malignidade. Isso é coerente com o papel dos sinais de alarme na avaliação da DRGE.
C
Errada
Não está incorreta. A EDA do caso mostra erosões menores que 5 mm, não contínuas entre os ápices de duas pregas, achado compatível com esofagite erosiva grau A pela classificação de Los Angeles, o que confirma DRGE erosiva. Por outro lado, EDA normal não exclui DRGE, porque existe a forma não erosiva; portanto, ausência de erosões não afasta o diagnóstico.
D
Errada
Não está incorreta. A base afirma que a pHmetria de 24 horas e a impedâncio-pHmetria são os testes objetivos de referência para quantificar exposição ácida/refluxo e correlacionar sintomas com episódios de refluxo, especialmente em dúvida diagnóstica e em manifestações extraesofágicas. A expressão 'padrão-ouro' pode variar conforme o contexto, mas, nesta questão, a afirmação é aceita e não é o erro.
E
Certa
A alternativa E está errada porque atribui valor diagnóstico definitivo a sintomas extraesofágicos isolados e à resposta ao IBP, o que contraria a diretriz citada na base. Tosse crônica e rouquidão, sem pirose ou regurgitação associadas, não confirmam DRGE por si só, pois têm baixa especificidade e exigem investigação de outras causas. Nesses cenários, a confirmação diagnóstica deve ser objetiva, preferencialmente com monitorização ambulatorial do refluxo por pHmetria ou impedâncio-pHmetria. Portanto, melhora com IBP não prova nexo causal entre refluxo e sintoma extraesofágico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre teste terapêutico com IBP em sintomas típicos e confirmação diagnóstica de DRGE em sintomas extraesofágicos isolados. Melhorar com IBP não fecha diagnóstico definitivo de refluxo nesses casos.
Dica para questões semelhantes
  • Separe sintomas típicos de DRGE de manifestações extraesofágicas isoladas: estas últimas têm baixa especificidade e não confirmam diagnóstico sozinhas.
  • EDA com erosões confirma DRGE erosiva, mas EDA normal não exclui DRGE por causa da forma não erosiva.
  • Em quadro atípico ou extraesofágico isolado, pense em confirmação objetiva com pHmetria ou impedâncio-pHmetria, não em diagnóstico definitivo por resposta ao IBP.

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