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Q2349392 Português
No lugar do outro

   Estamos vivendo uma crise intensa: a das relações humanas. Todos os dias testemunhamos ou protagonizamos, tanto na vida presencial quanto na virtual, comportamentos e atitudes que vão do ódio declarado ou sutil ao desdém em relação ao outro. As relações humanas, sempre tão complexas, exigem, no entanto, delicadeza, atenção e compromisso social. Tem sido difícil manter a saúde mental e a qualidade de vida no contexto atual.

   Crianças e adolescentes já dão sinais claros de que têm aprendido muito com nossa dificuldade em conviver com as diferenças e de respeitá-las, de tentar colocar-se no lugar do outro para compreender suas posições e atitudes; de ter compaixão; de conflitar em vez de confrontar, de agir com doçura, por exemplo. Conseguir fazer isso é ter empatia com o outro.

  Pais e professores têm reclamado de comportamentos provocativos desrespeitosos, desafiadores e desobedientes dos mais novos. Entretanto, se pudéssemos nos dedicar por alguns momentos à auto-observação, constataríamos essas características também em nós, adultos. 

  Mas são os mais novos que levam a pior nessa história: Crianças e adolescentes que desobedecem, desafiam e têm comportamentos considerados agressivos, como os nossos, podem receber diagnósticos e orientação para tratamento. Conheço famílias com filhos diagnosticados com “Transtorno Desafiador Opositivo”, porque têm comportamentos típicos da idade. Há uma grande preocupação global com a nossa atual falta de empatia. Um sinal disso foi a inauguração, em Londres, do primeiro Museu da Empatia.

  Nele, os visitantes são convocados a experimentar/enxergar o mundo pelo olhar de um outro – não próximo ou conhecido, mas um outro com quem eles não têm qualquer relação. A expressão que deu sentido ao museu é a expressão inglesa “in your shoes” (em seus sapatos), que em língua portuguesa significa “em seu lugar”. Os visitantes se deparam, na entrada, com uma caixa com diferentes pares de sapatos usados. Escolhem um de seu número para calçar e recebem um áudio que conta uma parte da história da pessoa que foi dona daquele par.

   Desenvolver a empatia é uma condição absolutamente necessária para ensiná-la aos mais novos.

   Aliás, eles podem tê-la mais facilmente do que nós. Um pai me contou, comovido, que conversava com um amigo a respeito da situação de muitos refugiados de países em guerra e que comentou que não adiantava a busca por outro local, já que a crise de empregos era mundial. Seu filho, de sete anos, que estava por perto, perguntou de imediato: “Pai, se tivesse guerra aqui, você preferiria que eu morresse?”. Ele mudou de ideia.

   Estacionar o carro em vaga de idosos, grávidas e portadores de deficiência é mais do que contravenção: é falta de empatia. Reclamar da lentidão dos velhos é mais do que desrespeito: é falta de empatia. Agredir ostensivamente o outro por suas posições é mais do que dificuldade em lidar com as diferenças: é falta de empatia. Do mesmo modo, reclamar do comportamento dos mais novos é falta de empatia.

   A empatia pode provocar uma grande mudança social, diz Roman Krznari, estudioso do tema. Vamos desenvolvê-la para ensiná-la? 

(SAYÃO, Rosely. Folha de S. Paulo. Em: 22 de setembro de 2015.) 

Em “Entretanto, se pudéssemos nos dedicar por alguns momentos à auto-observação, constataríamos essas características também em nós, adultos.” (3º§), o emprego da crase pode ser classificado como:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D) Obrigatório

Tema central: Uso da crase, tópico essencial em provas de Língua Portuguesa para concursos fiscais, com base na norma-padrão.

Regra principal: A crase aparece obrigatoriamente quando há a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”, formando “à”. Conforme Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), o fenômeno surge sempre que o termo antecedente exige preposição “a” e o termo consequente admite o artigo feminino “a”.

No trecho analisado — “dedicar por alguns momentos à auto-observação” — o verbo “dedicar-se” é transitivo indireto, exige a preposição “a”. O substantivo “auto-observação” é feminino e, no caso, admite o artigo “a” (a auto-observação). O encontro da preposição e do artigo obriga o uso do acento grave indicativo da crase.

Exemplo similar, segundo Cunha & Cintra: “Entregou-se à leitura” (regência exige preposição + artigo feminino, logo, crase obrigatória).

Análise das alternativas:

A) Informal: Errada. O uso da crase não depende de grau de formalidade, mas de regras gramaticais.

B) Incorreto: Incorreta. O acento foi usado corretamente pela norma culta, conforme as principais gramáticas.

C) Facultativo: Incorreta. Não há faculdade aqui. A presença da preposição obrigatória, mais o artigo definido feminino, torna a crase obrigatória.

D) Obrigatório: Correta. Encaixa-se perfeitamente na regra. A frase “dedicar-se à auto-observação” só estará correta na norma culta com a crase.

Dica para provas: Sempre que o termo regente exigir preposição “a” (especialmente com verbos como “assistir a”, “aderir a”, “referir-se a”) e o termo seguinte for feminino e admitir artigo, verifique a obrigatoriedade do uso da crase.

Referências: Bechara, Cunha & Cintra. Aprofunde seus estudos consultando-os sempre que tiver dúvida sobre regência e crase.

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Comentários

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Quem se dedica, se dedica a (vti exige preposição), logo, há crase.

A expressão "à auto-observação" indica a combinação da preposição "a" com o artigo definido "a" (que contrai para "à") antes do substantivo "auto-observação". Nesse caso, o emprego da crase é obrigatório, pois indica a ideia de direção, ou seja, se dedicar "a" (preposição) "a" (artigo definido) auto-observação.

Portanto, a alternativa correta é:

D) Obrigatório.

Uai, mas auto-observação é palavra masculina, não pode ter crase antes de palavra masculina.

só consegui entender pensando que não da pra dizer "o auto-observação", então esse termo exige o "a"

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